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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

07/10/2015 09:53

Sem merenda, escolas vendem até picolé para comprar alimentos

Alan Diógenes e Juliana Brum
Em algumas escolas, direção recorre aos pais para pedir alimentos. (Foto: Arquivo)Em algumas escolas, direção recorre aos pais para pedir alimentos. (Foto: Arquivo)
Escola Ana Lúcia de Oliveira Batista ficou 12 dias sem merenda, mas problema já foi resolvido. (Foto: Fernando Antunes)Escola Ana Lúcia de Oliveira Batista ficou 12 dias sem merenda, mas problema já foi resolvido. (Foto: Fernando Antunes)

A distribuição da merenda não foi normalizada em algumas escolas municipais e Ceinfs (Centros de Educação Infantil) de Campo Grande e diretores tiveram uma forma criativa de amenizar o problema. Em alguns centro de ensino, a direção recorreu aos pais para pedir a alimentação para as crianças e tem creche que está vendendo picolés para conseguir arcar com a merenda.

A Escola Municipal Integral Ana Lúcia de Oliveira Batista, localizada na Rua Perciliana Barbosa Ferreira, Bairro Paulo Coelho Machado, a merenda voltou a ser oferecida aos alunos no dia 30 do mês passado. Os produtos conseguiram garantir pelo menos o almoço das crianças.

Mas, a escola ficou 12 dias sem os alimentos, pedindo aos pais que as retirassem os filhos para almoçar em casa e depois retornar à escola. Em frente do portão existe o comunicado para os pais doar alho e cebola para a preparação das refeições.

A dona de casa, Cristina Ribeiro, que tinha ido buscar o filho mais cedo, por motivos de saúde onfirmou que a escola voltou a oferecer normalmente a merenda para as crianças. “Antes estava bem difícil viu, mas de uns dias para cá voltou ao normal. Ainda bem, porque tem muitas crianças que só comem na escola”, comentou.

Na Escola Municipal Integral Professora Iracema Maria Vicente, na Rua Rotherdan, Bairro Ria Vieira, a refeição para os alunos também voltou a ser oferecida normalmente. Apesar disso, alguns pais de alunos disseram que os produtos alimentícios estão sendo usados de forma ecômomica.

A direção do Ceinf Maria de Oliveira Lima, no Moreninhas II, adotou uma forma criativa de conseguir a merenda. Segundo a mãe de aluno, a copeira Josiane Batista, 24, está vendendo picóles para os pais para arrecadar fundos e obter a merenda.

Além disso, segundo Josiane, a direção também pede contribução de alimentos para os pais. O aviso está na portão da créche. “Estão pedindo arroz e mistura também. Pior que não tenho condições de pagar uma babá, então estou ajudando na alimentação, afinal não posso deixar meu filho de um ano e sete meses passar fome. Um absurdo a prefeitura não ter dinheiro nem para comprar merenda para crianças, deveriam prestar mais atenção nisso”, finalizou.

O secretário municipal de Planejamento, Finanças e Controle, Disney de Souza Fernandes, informou, durante a prestação das contas públicas, na Câmara Municipal, que a prefeitura deve R$ 6 milhões aos fornecedores da merenda, por isso a entrega foi suspensa. Mas, a gestão municipal fez uma varredura nas contas atrasadas e organizou um cronograma de pagamentos, que será apresentado aos fornecedores, para tentar convencê-los a retomar a entregue.

A Semed (Secretaria Municipal de Educação) também foi procurada, na noite da terça-feira (6), mas não deu retorno sobre o assunto até a manhã de hoje.  



A preocupação existe sempre. Como é que alguém pode "largar" uma criança na escola ou na creche e somente se preocupar em pegar no final do dia?
A matéria fala de uma situação específica e temporária, que é a falta de merenda em escolas e creches, que é uma OBRIGAÇÃO do município, não dos pais e principalmente, não dos professores, que já tem que se preocupar com as crianças, o que toma bastante tempo. A preocupação gira em torno disso, dessa falta de merenda, da falta de assistência às escolas e aos Ceinfs.
Reuniões da APM e dos pais são importantes para tratar de outros assuntos pertinentes. Com essa situação, ocorre um desvio disso e o prejuízo é das crianças, sempre.
 
Mebaraki em 08/10/2015 10:32:35
É muito justo que os pais participem das dificuldades dos CEINFs e das Escolas. Fica fácil deixar a criança e ir buscar ao final do dia sem se preocupar com nada. Isso também mostra a REALIDADE dentro de uma sala de aula ou de uma creche, os professores que nem sempre são valorizados "dão verdadeiras piruetas" para tentar amenizar esse tipo de situação. E ainda tem pai e mãe que reclamam o tempo todo desses estabelecimentos. Tomara que essa 'preocupação' continue independente da situação.
 
Juliana Cabrera em 08/10/2015 08:58:20

Meu filho caçula fica no Ceinf do Monte Castelo - Lúcia Ângela de Castro Costa -, e por lá, as professoras estavam "rebolando" para conseguir dar uma alimentação adequada às crianças. Inicialmente, elas levavam alimentos de suas próprias casas, depois ajudavam, fazendo vaquinhas. Depois, passaram a fazer pasteladas e a vender "gelinhos" para conseguirem dinheiro para a merenda.
Na semana passada, foi realizada uma reunião da APM com os pais, e ficou decidido que os pais terão de dar R$ 10,00 por semana, para ajudar a custear a compra de alimentos para os pequenos.
Quando estou trabalhando e vou lanchar, fico imaginando se meu filho tem o que comer na creche e no quanto as professoras fazem "das tripas coração" para fazer com que tudo dê certo por lá.
 
Mebaraki em 07/10/2015 11:50:57
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