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Capital

Sem sinalização e proteção contra nado ou jacaré, lago é convite para "aventura"

Apesar de não haver placas informando o impedimento de entrar no lago, é “meio óbvio” que não pode

Por Lucia Morel e Aletheya Alves | 25/10/2021 15:08
População de capivaras serve de alimento ao jacaré. (Foto: Kísie Ainoã)
População de capivaras serve de alimento ao jacaré. (Foto: Kísie Ainoã)

Sem sinalização sobre não nadar ou a presença de jacarés, o Lago do Amor é um convite a quem queira se aventurar e se refrescar, mesmo na água suja. Foi o que ocorreu no fim de semana em que homem se feriu ao ser atacado pelo animal.

Quem convive por lá, visitando ou trabalhando, diz que apesar de não haver placas informando o impedimento de entrar no lago, é “meio óbvio” que não pode, porque tem jacaré e a água é muito suja. “O problema é que a pessoa passou pro outro lado”, disse a garapeira Marinalva da Silva, 43 anos, e que há cinco anos, mantém banca de caldo de cana por lá.

Segundo ela, é a primeira vez que ela vê um relato de quem tenha entrado no local para nadar e mesmo nos finais de semana de maior movimento, quando vão até lá famílias inteiras e crianças, nada parecido acontece. “Às vezes, as crianças estão aqui e passam pro lado de lá, mas aí a gente avisa que tem jacaré e que é sujo e elas voltam”.

Também ambulante por ali, José Carlos Monteiro, 56 anos, vende água de coco há 12 anos no local e diz que já viu os jacarés do lago pegarem capivaras e cachorros, “mas esse cara abusou e o bichinho gosta de carne, né?”, brincou.

Única placa no local é de turismo e não de sugurança. (Foto: Kísie Ainoã)
Única placa no local é de turismo e não de sugurança. (Foto: Kísie Ainoã)

Ele comenta ainda que depois do ataque, o movimento por lá aumentou. “Todo mundo vem perguntar se ele (jacaré) já apareceu” e lembra que apesar de nunca ter saído de vez para a calçada, o jacaré já se aproximou bastante das grades e “saiu um pouco pra fora, mas voltou”.

Fábio Santos, 44 anos, é da Bahia, mas trabalha como motorista. Para ele, o local deveria ser melhor sinalizado e as grades, fechadas a ponto de impedirem o acesso ao lago e, do lado contrário, a aproximação do jacaré na calçada.

“Eu fico com medo, porque acho que o jacaré pode passar pra cá. Seria interessante ter maior proteção maior e também sinalização. Quem é de fora, não sabe que tem jacaré aí”.

A reportagem entrou em contato com a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), que informou que "é responsável pelas placas que alertam sobre a existência de jacarés, animais peçonhentos e proibição de nadar no Lago do Amor dentro da Cidade Universitária. A sinalização da área externa (vias de pedestres, ruas e pontos turísticos) é de responsabilidade da Prefeitura Municipal".

(*) Matéria editada às 15h50 para acréscimo da resposta da UFMS.

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