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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

03/06/2018 13:36

Temperatura cai e doações começam a chegar a bairros mais pobres

Às vésperas do Inverno, as doações de abrigos e cobertores são a garantia de conforto para quem mora na periferia

Bruna Kaspary
Nessa manhã, Fabíola recebeu cobertor e roupas para os filhos mais novos (Foto: Marina Pacheco)Nessa manhã, Fabíola recebeu cobertor e roupas para os filhos mais novos (Foto: Marina Pacheco)

Com temperaturas se aproximando a cada dia de registrar apenas um dígito, os moradores de favelas e periferias de Campo Grande veem nas doações de roupas uma saída para conseguirem o conforto durante o inverno.

Na favela do bairro Bom Retiro, boa parte dos moradores já conhecem bem a realidade dos barracos durante os dias frios, a maioria morou na Cidade de Deus, próximo ao lixão, por vários anos. O pintor desempregado Ewerton da Conceição, de 32 anos, reconhece que, apesar da dificuldade, as coisas melhoraram bastante, se comparar com o que vivia no Dom Antônio.

Ewerton se preocupa com a saúde do filho Kalleb, de um ano (Foto: Marina Pacheco)Ewerton se preocupa com a saúde do filho Kalleb, de um ano (Foto: Marina Pacheco)

"Agora já deu até uma melhorada, até no vento", explica. Segundo ele, na região do Dom Antônio o vento era muito forte, principalmente por ser muito descampado, e o lixão também não ajudava a encarar o frio.

Com o filho de um ano no colo, Ewerton explica que a solução é se enrolar no cobertor e ficar dentro de casa. O catador de recicláveis Miguel Araújo, de 42 anos, concorda com o vizinho e ainda completa dizendo que, mesmo assim ainda se passa frio.

"Os barracos não seguram muito bem o frio, mas a gente acaba se acostumando" conclui Miguel. Ele cuida de Kemis, de três anos, e fala que quem mais sofre com as baixas temperaturas são as crianças. "A gente tem que enrolar elas o máximo que dá!".

Santina Vilmes, de 64 anos, é dona de casa e acostumada a receber doações para repassar para os demais moradores. "As crianças são quem mais precisa desses abrigos, então eu separo para quem está mais necessitado e repasso", explicou.

Rosana Duarte, de 30 anos, mora no barraco com os o marido e mais seis crianças e nem por isso o frio dentro de casa é menor. "A gente fica tudo encorujado dentro de casa, aqui o frio é muito grande", explica.

A empresária Leila Kemp, de 53 anos, faz doações constantes para os moradores do bairro. "Estou trazendo coisa para cá desde Maio, já trouxe uns 40 cobertores para cá, mas sempre tem quem precise, então continuo trazendo", explica.

Fabíola de Souza, de 22 anos, está esperando o sexto bebê, e na visita que Leila fez essa manhã ganhou muita coisa, principalmente para as crianças mais novas. "Aqui a gente tem que viver praticamente à base de doação, porque nem eu nem meu marido trabalha, e se está frio a gente tem que tirar a nossa coberta para dar para as crianças".

 




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