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Capital

Tenente fica na cadeia por xingar colegas de farda após bebedeira e acidente

Em audiência de custódia, denunciou ter sido torturado pelos policiais militares que o prenderam

Por Anahi Zurutuza | 21/07/2021 15:29
Entrada do Presídio Militar, no Complexo Penal de Campo Grande (Foto: Campo Grande News/Arquivo)
Entrada do Presídio Militar, no Complexo Penal de Campo Grande (Foto: Campo Grande News/Arquivo)

Tarde de bebedeira rendeu para o 2º-tenente aposentado que desacatou colegas de farda mais tempo na cadeia. Valmir de Menezes, 56 anos, está preso em flagrante desde a noite de domingo (18), só passou por audiência de custódia na manhã desta quarta-feira (21) e por decisão da juíza Eucelia Moreira Cassal ficará preso por tempo indeterminado.

Em juízo, o PM denunciou ter sido torturado. Segundo registrado na ata da audiência, ele afirmou que foi “jogado em camburão” e que teve as algemas apertadas. Afirmou ainda ter sido vítima de constrangimento, porque quando chegou em delegacia, “haviam avisado a imprensa” para filmá-lo.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva porque ao xingar militares que o abordaram após acidente de trânsito, o tenente aposentado cometeu quatro infrações previstas nos artigos 160, 177, 299 e 301 do Código Penal Militar –  insubordinação, resistência à prisão, desacato e desobediência, respectivamente.

“No caso em tela, as circunstâncias graves do delito, com envolvimento em tese em anterior crime de trânsito e fuga, que circunstam os delitos militares, mostram que a segregação é necessária para a manutenção das normas e princípios de disciplina militar, que ficariam atingidos se em liberdade o autuado”, entendeu a juíza, também conforme registrado na audiência. Ele deve ser encaminhado para o Presídio Militar, no Complexo Penal de Campo Grande.

A confusão - Conforme registrado no auto de prisão em flagrante, Menezes colidiu o VW Gol que dirigia com um Ford Fiesta ao tentar sair de uma casa na Rua São Vicente de Paula, no Centro da cidade. Após o acidente, fugiu do local. O motorista do outro veículo conseguiu anotar a placa do carro e avisou a polícia.

Rondas foram feitas, mas foi a própria vítima do acidente quem encontrou a casa em que o motorista entrou. Os policiais foram avisados e até então, o condutor que havia causado a colisão não havia sido identificado. No endereço a equipe foi recebida por uma mulher. Ela se identificou como mãe do suspeito e revelou que o filho era tenente aposentado, que não iria sair para atender os colegas de farda porque estava bêbado e queria jantar.

Os militares relataram a situação ao superior responsável pela equipe, que foi ao local. O oficial do dia e o comandante do batalhão também foram avisados. Uma nova tentativa de conversar com o tenente foi feita. Ele saiu de casa, mas para xingar os colegas. “Seus soldadinhos de merda. Ninguém vai me prender”, teria dito.

Alterado e visivelmente bêbado, segundo relatado pelos policiais, ele ainda desacatou o subcomandante do 8º Batalhão da Polícia Militar e tentou fugir do local de carro, mas foi impedido. As tentativas de convencer o tenente a ir para a delegacia não deram certo e os militares tiveram de imobilizar e algemar Menezes.

Ainda de acordo com o registro policial, ele não quis prestar esclarecimento na delegacia, mas aos colegas confessou ter bebido durante a tarde.

Reincidente - Essa não é a primeira vez que o tenente da reserva vai parar na delegacia. Em 2019 foi preso por porte ilegal de arma em um hotel de Deodápolis. Na ocasião também havia ingerido bebidas alcoólicas e acabou dormindo no local, mas acabou denunciado por andar armado. Como não tinha documentação do revólver calibre 32, foi detido em flagrante.

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