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Capital

Testemunha-chave some antes de depoimento sobre morte de Karolzinh

Por conta disso, a jovem foi multada e será acompanhada pela polícia até o Fórum na próxima audiência

Por Geisy Garnes | 09/06/2021 18:32
Morte de Karolzinha causou revolta entre amigos e familiares (Foto: Henrique Kawaminami/ arquivo)
Morte de Karolzinha causou revolta entre amigos e familiares (Foto: Henrique Kawaminami/ arquivo)

Uma das testemunhas-chave sobre o assassinato de Carolina Leandro Souto, a Karolzinha de 23 anos, “sumiu” antes de ser ouvida na primeira audiência do caso na justiça e acabou multada na tarde desta quarta-feira (9). A jovem de 18 anos estava com a vítima no momento do crime e por isso, considerando a importância do seu depoimento, o juiz também decretou sua condução coercitiva até o Fórum de Campo Grande.

Karolzinha foi assassinada a tiros por Nayara Francine Nóbrega no dia 31 de agosto de 2020, no Jardim Aero Rancho. Ela e as amigas estavam sentadas em um campinho de futebol na frente da casa em que moravam, quando a autora se aproximou. No meio de uma discussão, ela teria sacado uma arma e disparado contra a vítima.

Nayara durante audiência sobre a morte de Karolzinha nesta tarde (Foto: Reprodução)
Nayara durante audiência sobre a morte de Karolzinha nesta tarde (Foto: Reprodução)

Para a audiência desta tarde, o Ministério Público convocou testemunhas essenciais para entender a relação entre as jovens e os fatos que levaram a morte: um policial civil que atendeu o caso, a mãe da vítima, a amiga de Nayara que estava com ela no momento do crime e a amiga de Karolzinha, que também presenciou o assassinato.

As três primeiras testemunhas prestaram depoimento por videoconferência ao promotor, José Arturo Bodadilha, ao advogado de defesa Paulo Henrique Almeida Miguel e ao juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Carlos Alberto Garcete de Almeida. A última a ser ouvida seria a amiga de Karolzinha, considerada testemunha-chave por presenciar o crime de perto.

Antes de chegar sua vez para falar, ela chegou a confirmar a presença, mas quando foi chamada, parou de atender as ligações. Várias tentativas foram feitas, mas ela não foi localizada, por isso a audiência precisou ser encerrada. Pela importância no depoimento da jovem, o juiz decretou a condução coercitiva dela para a próxima audiência e também estipulou multa de um salário-mínimo pelo “sumiço” sem justificativa.

Os depoimentos – O depoimento da jovem é se extrema importância para a justiça pois vai de encontro com a fala de outra testemunha, a amiga que estava com Nayara no momento do assassinato. Ela sim deu sua versão dos fatos nesta tarde.

Durante toda a fala, foi confrontada pelo promotor do caso. A jovem não negou que Nayara efetuou os disparos, afirmou apenas que não esperava a reação da amiga e que depois de fugir do local do assassinato, nunca mais falou com ela. Por outro lado, confirmou que Karolzinha “provocava” Nayara diariamente e chegou a acusar a vítima se ficar sentada na rua apenas para esperar a autora passar.

Questionada pelo advogado, relatou as desavenças da vítima com a amiga, mas afirmou nunca ter perguntado os motivos das brigas entre as elas. Narrou também os eventos em uma festa no dia anterior, que teriam sido o estopim para a discussão seguida de morte.

Segundo ela, Karolzinha e as amigas jogaram uma lata de cerveja em Nayara, que optou por ir embora, mas pouco depois recebeu a visita das mulheres, que chegaram a atirar em frente à sua casa.

Por fim afirmou que apesar da amiga ter falado que tinha uma arma, não perguntou sobre o assunto e por isso não esperava que ela fosse matar Karolzinha. “Foi um pouco traumatizante para mim. Aqui estou revivendo tudo que a gente passou aquele dia”, afirmou.

Durante o depoimento, a jovem se mostrou nervosa e repetiu por várias vezes que a amiga nunca provocou a vítima, que sempre presenciou o contrário: Karolzinha xingando e intimidando Nayara.

A mãe da vítima também foi ouvida e tentou defender a filha de acusação sobre o envolvimento dela com facção. Repetiu mais de uma vez que a jovem não pertencia ao PCC (Primeiro Comando da Capital), mas tinha amigos que sim. Quando ouviu um pedido de desculpa pelas perguntar duras sobre a índole da filha, apenas respondeu. “Não tem problema. A dor que eu passo ninguém vai tirar, tenho que aprender a conviver”.

Ela relatou também que conversou com as amigas da filha e todas negaram ter ido a casa da autora para brigar, muito menos para atirar. Reforçou também a versão de que a vítima morreu por se envolver em uma discussão que não era dela e sim das colegas com quem morava.

Um dos investigadores da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol também foi ouvido e narrou a cena que encontrou no dia do crime. Ele contou que depois de ser baleada Karolzinha tentou atravessar a rua e voltar para casa, mas caiu no meio do caminho. Segundo ele, a jovem foi atingida na cabeça e no abdômen.

No depoimento contou também outra versão da relação das envolvidas. Relatou que minutos após o assassinato as testemunhas lembraram que Karolzinha e Nayara eram amigas, mas teriam se desentendido por “vaidade” e por isso brigavam frequentemente.

Na justiça Nayara foi denunciada por homicídio duplamente qualificado: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.

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