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Tecnologia e trabalho em equipe marcam cirurgia cardíaca inédita no HU

Procedimento tratou condição rara com monitoramento em tempo real dentro do centro cirúrgico

Por José Cândido | 18/03/2026 14:00
Tecnologia e trabalho em equipe marcam cirurgia cardíaca inédita no HU

Em um centro cirúrgico onde cada segundo conta, precisão e integração fazem toda a diferença. Foi com essa combinação que o Hospital Universitário (HU) Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh) realizou, na última terça-feira (17), procedimento cardíaco de alta complexidade para tratar uma condição rara: a fístula intracardíaca aorto-cavitária.

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O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian realizou um procedimento cardíaco de alta complexidade para tratar uma fístula intracardíaca aorto-cavitária, condição rara que cria uma comunicação anormal entre a aorta e cavidades do coração. A cirurgia contou com o modelo Heart Team, reunindo diversos especialistas. O diferencial do procedimento foi o uso do Ecocardiograma Transesofágico Intraoperatório, tecnologia que permite visualizar o coração em tempo real durante a operação. Esta inovação, considerada padrão ouro em cirurgias cardíacas complexas, amplia a segurança e reduz a necessidade de novas intervenções.

A doença cria uma comunicação anormal entre a aorta e cavidades do coração, podendo surgir após infecções, aneurismas ou até complicações cirúrgicas. O risco é elevado — e, por isso, o sucesso depende de decisões rápidas e altamente qualificadas.

No Humap, o desafio foi enfrentado com uma estratégia cada vez mais adotada na medicina moderna: o chamado Heart Team, modelo que reúne diferentes especialistas em torno de um mesmo paciente. Cirurgiões cardiovasculares, cardiologistas, anestesistas, ecocardiografistas e perfusionistas atuaram de forma integrada, alinhando cada etapa do procedimento.

Mas foi uma tecnologia específica que funcionou como “olhos extras” dentro da cirurgia: o Ecocardiograma Transesofágico Intraoperatório. O exame permite visualizar o coração em tempo real durante a operação, ajudando a equipe a ajustar a técnica imediatamente, reduzir riscos e avaliar os resultados ainda na sala cirúrgica.

A ecocardiografista Ana Christina Wanderley Xavier, que participou do primeiro procedimento com o uso do recurso no hospital, explica o diferencial.
“O ecocardiograma transesofágico intraoperatório permite uma avaliação contínua e detalhada das estruturas cardíacas durante a cirurgia. Ele orienta a equipe em tempo real, garantindo mais segurança e precisão em cada etapa do procedimento”, afirma.

Considerado padrão ouro em cirurgias cardíacas complexas, o método amplia a segurança e diminui a necessidade de novas intervenções, já que permite verificar imediatamente se a correção foi eficaz.

Para o cirurgião cardiovascular Marco Antonio Araujo de Mello, a combinação entre tecnologia e trabalho em equipe é determinante.
“Estamos falando de um procedimento de alta complexidade, em que cada decisão precisa ser precisa e imediata. O exame nos dá uma visão em tempo real que complementa a abordagem cirúrgica e aumenta significativamente a segurança do paciente”, destaca.

A superintendente do hospital, Andrea Lindenberg, reforça que o avanço vai além de um único caso.
“A atuação integrada do Heart Team, aliada à incorporação de tecnologias avançadas, demonstra a capacidade do Humap em oferecer assistência de alta complexidade com segurança e qualidade. Esse é um avanço significativo para nossos pacientes e para o fortalecimento do SUS”, pontua.

Recomendado por diretrizes internacionais, o uso do ecocardiograma intraoperatório é indicado em cirurgias valvares, correções de cardiopatias congênitas, intervenções na aorta e casos de endocardite — além de situações raras como a enfrentada no Humap.

Com o procedimento, o hospital reafirma seu papel como referência em atendimento de alta complexidade, mostrando que, na medicina, inovação e trabalho coletivo podem literalmente salvar vidas.