Tecnologia e trabalho em equipe marcam cirurgia cardíaca inédita no HU
Procedimento tratou condição rara com monitoramento em tempo real dentro do centro cirúrgico
Em um centro cirúrgico onde cada segundo conta, precisão e integração fazem toda a diferença. Foi com essa combinação que o Hospital Universitário (HU) Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh) realizou, na última terça-feira (17), procedimento cardíaco de alta complexidade para tratar uma condição rara: a fístula intracardíaca aorto-cavitária.
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O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian realizou um procedimento cardíaco de alta complexidade para tratar uma fístula intracardíaca aorto-cavitária, condição rara que cria uma comunicação anormal entre a aorta e cavidades do coração. A cirurgia contou com o modelo Heart Team, reunindo diversos especialistas. O diferencial do procedimento foi o uso do Ecocardiograma Transesofágico Intraoperatório, tecnologia que permite visualizar o coração em tempo real durante a operação. Esta inovação, considerada padrão ouro em cirurgias cardíacas complexas, amplia a segurança e reduz a necessidade de novas intervenções.
A doença cria uma comunicação anormal entre a aorta e cavidades do coração, podendo surgir após infecções, aneurismas ou até complicações cirúrgicas. O risco é elevado — e, por isso, o sucesso depende de decisões rápidas e altamente qualificadas.
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No Humap, o desafio foi enfrentado com uma estratégia cada vez mais adotada na medicina moderna: o chamado Heart Team, modelo que reúne diferentes especialistas em torno de um mesmo paciente. Cirurgiões cardiovasculares, cardiologistas, anestesistas, ecocardiografistas e perfusionistas atuaram de forma integrada, alinhando cada etapa do procedimento.
Mas foi uma tecnologia específica que funcionou como “olhos extras” dentro da cirurgia: o Ecocardiograma Transesofágico Intraoperatório. O exame permite visualizar o coração em tempo real durante a operação, ajudando a equipe a ajustar a técnica imediatamente, reduzir riscos e avaliar os resultados ainda na sala cirúrgica.
A ecocardiografista Ana Christina Wanderley Xavier, que participou do primeiro procedimento com o uso do recurso no hospital, explica o diferencial.
“O ecocardiograma transesofágico intraoperatório permite uma avaliação contínua e detalhada das estruturas cardíacas durante a cirurgia. Ele orienta a equipe em tempo real, garantindo mais segurança e precisão em cada etapa do procedimento”, afirma.
Considerado padrão ouro em cirurgias cardíacas complexas, o método amplia a segurança e diminui a necessidade de novas intervenções, já que permite verificar imediatamente se a correção foi eficaz.
Para o cirurgião cardiovascular Marco Antonio Araujo de Mello, a combinação entre tecnologia e trabalho em equipe é determinante.
“Estamos falando de um procedimento de alta complexidade, em que cada decisão precisa ser precisa e imediata. O exame nos dá uma visão em tempo real que complementa a abordagem cirúrgica e aumenta significativamente a segurança do paciente”, destaca.
A superintendente do hospital, Andrea Lindenberg, reforça que o avanço vai além de um único caso.
“A atuação integrada do Heart Team, aliada à incorporação de tecnologias avançadas, demonstra a capacidade do Humap em oferecer assistência de alta complexidade com segurança e qualidade. Esse é um avanço significativo para nossos pacientes e para o fortalecimento do SUS”, pontua.
Recomendado por diretrizes internacionais, o uso do ecocardiograma intraoperatório é indicado em cirurgias valvares, correções de cardiopatias congênitas, intervenções na aorta e casos de endocardite — além de situações raras como a enfrentada no Humap.
Com o procedimento, o hospital reafirma seu papel como referência em atendimento de alta complexidade, mostrando que, na medicina, inovação e trabalho coletivo podem literalmente salvar vidas.


