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Capital

Tio Arantes e Senhor das Armas são condenados em ação contra PCC

Paiol, nome da operação, foi em alusão à nomenclatura utilizada pela facção criminosa para o setor de armas

Por Aline dos Santos | 07/02/2020 12:26
Viatura do Batalhão de Choque no Gaeco em junho de 2018, durante a operação Paiol. (Foto: Geisy Garnes)
Viatura do Batalhão de Choque no Gaeco em junho de 2018, durante a operação Paiol. (Foto: Geisy Garnes)

Com penas que somadas chegam a 220 anos, 23 pessoas foram condenadas na Operação Paiol, realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em junho de 2018 contra a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Na lista, estão José Cláudio Arantes, o Tio Arantes, (apontado como um dos líderes da facção); Djalma da Silva Moreno, que foi preso em 2017 com o status de “Senhor das Armas”; e o agente penitenciário Adilson Aparecido Brum Weis, que a pedido de Tio Arantes consultou sistema da polícia.

A sentença da juíza da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, Eucelia Moreira Cassal, data de 30 de janeiro deste ano. Ao todo, foram denunciadas 30 pessoas, sendo 23 condenadas.

Conforme o MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), no período de junho de 2017 a 12 de junho de 2018, o grupo integrou o PCC para cometer crimes: tráfico de drogas e aquisição, posse, guarda, fornecimento e empréstimos de armas de fogo.

Paiol, nome da operação, foi em alusão à nomenclatura utilizada pelo PCC para o setor de armas. As investigações policiais foram deflagradas a partir da apreensão de um caderno de anotações. Foram apreendidos 800 gramas de skunk (super maconha), 343 munições e cinco armas de fogo, incluindo submetralhadora e fuzil.

Agente penitenciário, Adilson Aparecido foi condenado por violação de sigilo funcional e perda do cargo. A pena é de três anos e deve ser cumprida em regime aberto. De acordo com a denúncia, o servidor público acessou o Sigo (Sistema Integrado de Gestão Operaciona) para descobrir se havia ordem de prisão contra Tio Arantes. A intenção era avisar o criminoso. 

O contato telefônico foi em 17 de outubro de 2017, seis dias depois da explosão do caixa eletrônico do Banco do Brasil na Acrissul (Associação dos Criadores), em Campo Grande. Havia suspeita de envolvimento de Arantes no crime.

Ele é um dos condenados pela morte do advogado William Maksoud Filho, em 2006. No mesmo ano, foi um dos lideres da rebelião que a facção tomou o comado de presídios pelo Brasil. Atualmente preso, Arantes foi condenado a 18 anos de prisão por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Fuzil, metralhadora e munições apreendidos com Djalma em agosto de 2017. (Foto: Divulgação/Choque)
Fuzil, metralhadora e munições apreendidos com Djalma em agosto de 2017. (Foto: Divulgação/Choque)

Armas - Djalma Moreno também foi enquadrado na Lei de 12.850/03, sobre organização criminosa. A pena foi de seis anos e nove meses. Até ser preso com arsenal, em 2017, ele era réu primário e sem passagens pela polícia.

No celular de Djalma, os policiais ainda encontraram um grupo em que a facção detalhava as armas que estavam com cada integrante. Dentre eles, Fábio Rogério Bigoto, o Logan, apontado como “geral do cadastro dos estados e países”. Ele era também um dos responsáveis por armas do PCC. Fábio foi condenado a 11 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.

A maior pena, de 21 anos de prisão, foi imposta a André Luiz de Souza e Silva. Ele foi condenado por organização criminosa, tráfico de drogas e por crime de corromper menor de idade, crime previsto no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Os condenados ainda podem recorrer da decisão.

A operação Paiol foi realizada pelo Gaeco com apoio do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e do Batalhão de Choque. 

Veja lista com as 23 condenações na operação Paiol

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