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Capital

Três já procuraram a polícia por serem citados no "#exposedcg"

Moradores da Chácara Cachoeira e Monte Líbano registraram boletins de ocorrência por calúnia e preservação de direio

Por Izabela Sanchez | 02/06/2020 12:06
Um dos muitos relatos associados à tag (Imagem: Reprodução)
Um dos muitos relatos associados à tag (Imagem: Reprodução)

Após início de movimento que ganha força no Twitter com a tag #exposedcg - com relatos de assédio e abuso sexual - três jovens entre 21 e 26 registraram boletins de ocorrência nesta terça-feira (2) por serem acossados em postagens com a tag, implicados em casos de abuso sexual.

Jovem de 21 procurou a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol para denunciar que uma amiga o avisou da exposição na rede social. Ele conta ter sido citado com uma tag que disse aos policiais chamar-se “assediadores do MS”, acossado de ter “assediado sexualmente uma garota” em 2018.

Ele afirmou que o relato é anônimo e contou “que não tem conhecimento de quem possa ter feito tal postagem”. Ao registrar o boletim por calúnia, disse ainda que pretende representar criminalmente contra quem citou seu nome.

Na mesma delegacia, dois amigos de 26 anos foram registrar o caso, que consta como “preservação de direito”. Um deles foi avisado pelo outro de que os dois estão sendo marcados no movimento e relacionados à abusos contra jovens em festas na cidade.

“Comparece nesta unidade policial o comunicante/vítima relatando que na data de 01/06/2020 por volta das 22:18 horas recebeu uma mensagem no App WhatsApp da pessoa que é seu amigo falando sobre uma postagem na rede social Twitter onde o comunicante e a pessoa abusam de várias meninas em boates e roles pela cidade”, cita o registro.

Ele disse “ignorar conhecer alguém com esse nome, uma vez que não possui tal rede social ficando assim claro que nunca viu tal pessoa”.

Entenda - Com quase 10 mil publicações, a tag #exposedcg surgiu na noite de segunda-feira (1) e rapidamente gerou alcance. O  movimento acompanha tendência que se fortalece entre as mulheres nos últimos anos: expor seus agressores e abusadores, homens, nas redes sociais, dando força umas às outras. Foi movimento similar que desencadeou, por exemplo, o #metoo, que levou de Harvey Weinstein, gigante da produção cinematográfica de Hollywood, à prisão.

Além da exposição, os relatos até de meninas ainda menores de 18 contemplam desde abusos em ofertas de books fotográficos “de fotógrafos famosinhos” até professores que as assediavam na escola. Alguns relatos são chocantes.

Ainda assim, delegadas e advogadas têm orientado as vítimas que formalizem a denúncia e que fiquem atentas aos casos de "linchamento virtual" pela possibilidade de serem implicadas em processos por difamação e calúnia.