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Campo Grande, Quinta-feira, 26 de Abril de 2018

15/02/2018 08:37

Desafiada pelo português, república estrangeira é 15ª maior cidade de MS

Na lista dos 29.474 estrangeiros legalizados, conforme dados da PF, a maioria é de vizinhos

Aline dos Santos
Em Três Lagoas, haitianos se organizam à procura de emprego. (Foto: André Bittar)Em Três Lagoas, haitianos se organizam à procura de emprego. (Foto: André Bittar)

Se fosse uma cidade, a “república estrangeira” de Mato Grosso do Sul seria o 15º município mais populoso, numa miscelânea de sotaques de quem veio de perto, como os paraguaios e o fluente portunhol; ou quem está muito longe de casa, como os chineses, desafiados pela “última flor do Lácio”, a tortuosa Língua Portuguesa.

Na lista dos 29.474 estrangeiros legalizados, conforme dados da PF (Polícia Federal), a maioria é de vizinhos. Do Paraguai, vieram 39%. Da Bolívia, outros 4.238 cruzaram a fronteira.

O haitianos são os terceiros do ranking: 2.352. Banhado pelo mar do Caribe, o país que já tinha a pior renda per capta da América, assistiu a mais despedidas a partir de 2010, quando foi sacudido por um terremoto.

Júnior (de pé) veio do Haiti e tem fixação por uma palavra: trabalho.
(Foto: André Bittar)Júnior (de pé) veio do Haiti e tem fixação por uma palavra: trabalho. (Foto: André Bittar)

Longe de casa e sem emprego

Com um português compreensível, mas ainda incapaz de expressar tudo o que pensa, Júnior Justi, 33 anos, tem fixação por uma palavra: trabalho. 

É a falta de emprego que complica a sua vida e de muitos haitianos em Três Lagoas, a 338 km de Campo Grande. “A maioria veio para encontrar emprego”, conta, sobre a longa e cara jornada do Haiti a Mato Grosso do Sul.

Na entrevista, faz apelo em busca de oportunidades. “A maioria dos haitianos que vive aqui não conseguiu encontrar emprego. É muito difícil. Achamos que o Brasil não está preparado para receber imigrantes. Se você chega num País e não consegue emprego para trabalhar. O que você vai fazer?”, questiona Júnior, coordenador da Associação para o Avanço dos Imigrantes Haitianos em Três Lagoas.

Mais difícil do mundo

Falar português é desafio para a chinesa Xi'udan Bi'an.(Foto: Saul Schramm)Falar português é desafio para a chinesa Xi'udan Bi'an.(Foto: Saul Schramm)

Da mesma forma que os caracteres chineses, colado no balcão de uma loja na rua 14 de Julho, ao lado de Xi'udan Bi'an, não nos remete a um sentido, a Língua Portuguesa é um desafio para chinesa de 28 anos. Natural de Fuzhou, na China, ela conta que está em Campo Grande há dois anos, mas ainda tem muita dificuldade com o idioma local.

Fora a comunicação, não se adaptou à comida. “O restante é tudo bom”, diz a jovem.
Para o haitiano Júnior, o português é a língua mais difícil do mundo. “Consigo falar bastante línguas: inglês, francês, um pouco de espanhol. Tive que estudar muito para falar um pouco de português. Mas até agora não posso dizer tudo que quero dizer em português”, diz.

Da Síria, com amor

Nascido em País marcado pela guerra, o sírio Wasin Aldoloy virou sinônimo de história de amor. (Foto: Thaila Torres)Nascido em País marcado pela guerra, o sírio Wasin Aldoloy virou sinônimo de história de amor. (Foto: Thaila Torres)

Nascido no País marcado há seis anos pela guerra e milhões de refugiados pelo mundo, o sírio Wasin Aldoloy virou sinônimo de história de amor em Campo Grande.

Com a culinária árabe fisgou a clientela local pelo estômago; com matéria no Lado B, contou que trabalhava por uma meta: trazer a namorada que ficou na Síria.

No fim do ano passado, o desejo se realizou. Wasin Aldoloy já aparece sorridente ao lado da companheira Ruba Alnaddaf.

“Se me perguntassem qual era o meu sonho há três meses, eu falaria da minha esposa. Agora não tenho mais o que dizer, só agradecer”, disse em entrevista no último dia 18.

Wasin partiu em busca de melhores condições de vida após perder um irmão durante bombardeio.

A maior colônia

Paraguai está no topo da “república estrangeira”.
(Foto: Eduardo Fregatto)Paraguai está no topo da “república estrangeira”. (Foto: Eduardo Fregatto)

Vizinho, o Paraguai está no topo da “república estrangeira” de Mato Grosso do Sul. Com influências que passam pela chipa, tereré e música, os paraguaios primeiro vieram fugindo da ditadura de Alfredo Stroessner; depois, por questão econômica. Agora, vive um fluxo inverso, com muitos empresários brasileiros indo em busca de isenções fiscais no país que leva status de “Nova China”.

“Meu pai veio para cá na década de 1960, com 21 anos. Naquela época, muitos vieram pela questão do Stroessner, a ditadura e a questão política. Depois, com o passar do tempo, vieram para buscar oportunidades”, afirma Tatiana Lopes Baungarten, diretora na Colônia Paraguaia.

Primeiro, foram construtores, cabeleireiros, açougueiros. “Agora, têm filhos formados médicos, advogados”, conta. São 11.724 legalizados vivendo em Mato Grosso do Sul. Já alguns países tem apenas dois representante no Estado, caso do Togo, Letônia, Argélia, Jamaica e Tanzânia.

Retrato legalizado

Banco de dados da Polícia Federal aponta 29.474 estrangeiros em MS. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)Banco de dados da Polícia Federal aponta 29.474 estrangeiros em MS. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Até fevereiro de 2018, o banco de dados da Polícia Federal aponta 29.474 estrangeiros em Mato Grosso do Sul. Do total, são 26.568 permanentes, 2.788 temporários e 54 refugiados. Os ilegais ficam de fora das estatísticas.

O primeiro passo para se regularizar é procurar a PF, que tem unidades em Campo Grande, Corumbá, Três Lagoas, Dourados, Ponta Porã e Naviraí.

De acordo com a delegada Flávia Renata Matos Michel, chefe da Delegacia de Polícia de Imigração em Mato Grosso do Sul, é preciso fazer requerimento e apresentar documentos como comprovante de endereço e antecedentes criminais dos dois países. “Cada caso é um caso. Se tem esposa brasileira, filho brasileiro, se é do Mercosul”, afirma.

Conforme a delegada, a Lei de Imigração, datada de 1980, mudou recentemente, em novembro de 2017, com redação mais benéfica para o estrangeiro. “A legislação está facilitada. As pessoas têm um pouco de receio, mas tem que se regularizar. Passa a ter acesso à Carteira de Trabalho, ao Sistema Único de Saúde”, afirma.

O estrangeiro flagrado em situação irregular paga multa e é notificado a deixar o País.

Imigração ilegal: coiotes 

A imigração ilegal foi alvo da PF na semana passada em Corumbá, a 419 km de Campo Grande. A ação foi batizada como “Operação Koyote” e teve início depois que a polícia encontrou 35 haitianos alojados no município em situação irregular.

Os suspeitos cobram de 800 a 1.000 dólares (cerca de R$ 3 mil) por pessoa para trazer os imigrantes a Corumbá pelo Chile e Bolívia.

O nome da operação é uma referência a atividade dos criminosos, popularmente conhecidos como “coiotes”, mas no idioma crioulo, falado predominantemente no Haiti, o vernáculo é koyote.

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