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Campo Grande, Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018

18/01/2018 08:30

Após 2 anos na cozinha, sírio consegue buscar esposa que ficou no meio da guerra

Wasim mudou-se para Campo Grande em busca de oportunidade de trabalho e paz, mas sonhava em buscar a esposa que havia ficado na Síria.

Thailla Torres
Wasin e Ruba, enfim juntos. (Foto: Thailla Torres)Wasin e Ruba, enfim juntos. (Foto: Thailla Torres)

Há 45 dias, o sorriso de Wasin Aldoloy é outro. Refugiado da Síria, ele conseguiu ganhar dinheiro em Campo Grande para completar a vida por aqui trazendo o amor que havia ficado do outro lado do mundo. Wasin foi matéria no Lado B  em 2016, quando resolveu abrir um restaurante com rozídio barato de comida árabe para realizar seu sonho. 

O casal esperou 2 anos para o reencontro, mas valeu o trabalho duro. "Se me perguntassem qual era o meu sonho há três meses, eu falaria da minha esposa. Agora não tenho mais o que dizer, só agradecer", começa Wasin, de 35 anos. Ele nos apresenta a companheira Ruba Alnaddaf, de 25 anos, que também resolveu deixar tudo para viver longe da guerra.

Wasin é da região de Sweida, na fronteira com a Jordânia e ela de Damasco, duas regiões relativamente tranquilas desde o início da guerra que assola a Síria há 7 anos, embora também já tenham sido alvos de ataques de facções, lembra Wasin. "Ainda é tranquila, mas não podemos sair em paz até tarde da noite, principalmente, as mulheres. Isso é o que me dava mais medo aqui", conta.

Wasin decidiu se aventurar no exterior em busca de melhores condições de vida após perder um irmão durante bombardeio. Por isso, ficou impossível viver na terra natal. "Lá eu seria obrigado a estar no serviço militar e isso representa estar dentro da guerra. Eu não queria morrer", afirma.

Longe da esposa, ele trabalhou todos os dias servindo comida árabe para conseguir dinheiro. À noite, o coração só ficava tranquilo ao falar com ela por telefone. "Todo dia a gente dava boa noite e eu falava como tinha sido o dia no restaurante".

Há pouco tempo na cidade, Ruba é tímida e não fala nada em português. O marido ajuda nas traduções, mas ainda pena para falar o idioma local. "É muito diferente do nosso e não fizemos nenhuma aula. Eu aprendi atendendo os clientes", conta.

Aos poucos, Ruba decide falar do que sentiu ao chegar no Brasil. "Eu acabei com a saudade que eu sentia dele", resume. Por telefone e redes sociais, ela sabia que o marido batalhava para buscá-la. "Quando ele conseguiu, comprou passagem e viu toda a documentação".

O casal se conheceu há 3 anos pela internet, depois o primeiro encontro foi na cidade dela. Lá conheceu a família de Ruba e em pouco tempo a união foi aprovada pelos pais. "A diferença na nossa cultura é que homem e mulher não podem viver juntos antes do casamento. Por isso, eu só a visitava e depois de casado, acabei vindo para o Brasil", conta.

Por aqui, a saudade da família é o que aperta, mas com a chegada da esposa o coração ficou em paz. "Ela era tudo que eu precisava aqui. Meus pais ainda estão na Síria e não querem fugir de lá, já são idosos, acostumaram com o clima. Mas eu quero ter família, ter bebê e aqui temos paz".

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