A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

25/03/2011 22:25

Baixo salário em função convencional leva as mulheres à construção civil

Aline Queiroz
Mulher-pedreira uma realidade já comum nas construções civis (foto: João Garrigó)Mulher-pedreira uma realidade já comum nas construções civis (foto: João Garrigó)

Marlene leva um sobrenome que faz jus à história de vida. Cansada da empresa de embutidos que mantinha com pouco lucro ela decidiu mudar de profissão e ganhou um campo “tradicionalmente” masculino. Marlene Valente, hoje com 40 anos, entrou há três anos para a construção civil, setor da indústria em expansão.

Como nunca havia feito trabalho semelhante, procurou o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), que promove cursos para atender à demanda por mão-obra qualificada que o setor exige.

Projeto de capacitação voltado ao segmento, o “Colher na Massa” colocou no mercado só no ano passado mil pessoas, do total, 254 foram mulheres. Em 2009, foram qualificadas 800 trabalhadores, das quais 213 são mulheres.

O primeiro curso que Marlene fez foi para pintor de parede. “Depois que entrei não saio mais. Só a morte para me tirar da obra”, conta Marlene. Depois do primeiro curso vieram os outros, para pedreiro e empreiteira.

Assim como Marlene, Elenir Jesus Leite Barbosa, 31 anos, encontrou na construção civil uma paixão. Ela trabalhava como vendedora de loja e, desempregada, compreendeu que precisava se qualificar para conseguir novo emprego.

Elenir conta que fez curso para costura industrial e não gostou. Como o marido é pedreiro, ela começou a ajudá-lo para construção da casa da família.

No entanto, Elenir sabia que precisava se profissionalizar para entrar neste mercado. “Não dá para sair fazendo parede”, completa.

O primeiro curso que fez foi para pintor, depois veio o de encanador, carpintaria e ferreiro armador. Atualmente, Marlene trabalha na construção de um grande edifício na Avenida Ricardo Brandão.

Com botas, calças largas e camisetas, ela não deixa de lado a vaidade. Elenir trabalha com brinco, batom e unhas esmaltadas.

A operária garante que não sofre preconceito nem com piadinhas dos colegas, a maioria homens.

Mais “valente”, Marlene enfatiza: “Quando eu cheguei no meu primeiro trabalho disse logo que quem me desrespeitasse ia tomar na cara”, lembra.

Já a chefe de segurança do trabalho, Tatiane Benevides, 28 anos, conta que era vendedora de loja e, quando se “cansou” dos clientes, decidiu entrar na construção civil.

“A mulher conquistou o mercado de trabalho e está mostrando cada vez mais que pode fazer o que os homens fazem. Sem desmerecer os homens, mas a diferença é que na obra a mulher tem mais capricho”, completa.

Elenir destaca a importância da qualificação profissional para aqueles que desejam entrar neste mercado. “O aprendizado é mais exato. Você aprende a fazer da forma correta”, destaca.

Mulheres têm conquistado mais espaço no mercado de trabalho (foto: João Garrigó)Mulheres têm conquistado mais espaço no mercado de trabalho (foto: João Garrigó)

Mulherada - Para o gerente de Educação e Desenvolvimento Tecnológico do Senai, Jesner Escandolhero, zelo, asseio, atenção a detalhes, capacidade de organização e o compromisso com bons resultados garantem são características que têm possibilitado o acesso da mulher neste setor.

Ele pondera que as ocupações da construção civil são estigmatizadas quanto ao gênero, ou seja, são considerados postos de trabalhos adequados aos homens, o que não é verdade.

“Embora, ainda, em algumas ocupações do setor a necessidade do emprego de esforço físico ainda seja uma realidade, a evolução tecnológica tem contribuído no surgimento de técnicas operacionais onde o conhecimento e a habilidade são mais relevantes. Historicamente, a participação feminina nas ocupações da construção civil é muito tímida. Entretanto, percebe-se uma discreta evolução na quantidade de mulheres atuando neste setor”, diz Jesner.

Expansão - A construção civil foi a área que mais abriu postos de trabalho no último levantamento do Radar Industrial da Fiems com base nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego.

O setor industrial de Mato Grosso do Sul, composto pelas indústrias de transformação, extrativismo mineral, construção civil e de serviços de utilidade pública, já registra a maior geração de empregos no ano, com 4.022 vagas abertas de janeiro a fevereiro.

Com 1.966 postos de trabalho, o segmento industrial que mais abriu novas vagas foi o da construção civil. Os salários iniciais vão de R$ 545,00 a R$ 842,00.

Os limites do “desculpe, seu score está baixo”
Imagine a seguinte situação. Você está navegando em uma grande loja de comércio eletrônico e escolhe um novo celular para compra. Na hora do pagament...
Confaz aprova incentivos fiscais concedidos pelo Governo de MS
O Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) aprovou a convalidação de todos os incentivos fiscais concedidos pelo Governo do Estado em Mato G...
Consumidor terá 30 dias para contratar serviço de esgoto antes de ser multado
Será apresentado às 9h de segunda-feira (18) um termo de parceria entre o Procon-MS (Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor de Mato ...


adorei a matéria pois as mulheres estão conquistando seu espaço.
Nós homens ficamos muito felizes por elas consegui, olha são muito profissionais e competente sem dizer da vaidade.
Minha noiva Tatiane benevides, consegui se qualificando profissionalmente, e eu Fábio gomes conhecido como gominho estou com meu coração trasbordando de alegria.
Gostei da matéria.

 
fabio pereira gomes em 26/03/2011 12:15:24
Quanto à remuneração da área de construção civil, não é que ela seja alta.
É apenas melhor que de outras áreas. Na maioria dos casos, do que normalmente o campograndense está acostumado a receber...
E parabéns às mulheres por esta conquista.
 
Antônio Marcos Alencar em 26/03/2011 03:56:48
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions