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Cidades

Estado busca “variedade étnica” para banco de doadores de medula

Por Aliny Mary Dias | 15/12/2013 08:35
Atualmente Mato Grosso do Sul possui 8,5 mil doadores cadastrados (Foto: Cleber Gellio)
Atualmente Mato Grosso do Sul possui 8,5 mil doadores cadastrados (Foto: Cleber Gellio)

Mato Grosso do Sul é um dos estados com número de doadores de medula óssea compatível ao teto estipulado pelo Ministério da Saúde. Com a boa quantidade, 19 pessoas encontraram doadores compatíveis, índice considerado alto. Apesar dos fatores positivos, a busca atualmente é de variedades étnicas para melhorar a qualidade do banco de doadores.

A coordenadora geral da Hemorrede, Eliana Dalla Nora, explica que os 8,5 mil doadores cadastrados no Estado são suficientes de acordo com a última portaria divulgada pelo Ministério da Saúde, em maio de 2012. E é por isso que a captação está focada na variedade de doadores.

“Nós temos um número muito bom e agora procuramos melhorar a qualidade das doações visando os grupos étnicos como negros, índios e orientais”, explica.

Essa busca por raças que diferem dos brancos e pardos tem uma explicação. Estudos dão conta de que nesses grupos é mais frequente encontrar doadores compatíveis. A média é de um doador compatível a cada 100 mil pessoas.

Para aumentar o número de doadores, as equipes da Hemorrede do Estado estão percorrendo cidades do interior como Amambai, Tacuru e Dourados, locais com grande população indígena e negra.

Outro apelo da Hemorrede é para que os doadores que já possuem cadastro no Redome (Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea) atualizem os dados quando mudarem de endereço ou de telefone.

Eliana explica que busca agora é por grupos étnicos (Foto: Cleber Gellio)
Eliana explica que busca agora é por grupos étnicos (Foto: Cleber Gellio)

“Uma das nossas maiores buscas é que as pessoas venham até o Hemossul quando mudarem de casa. Já aconteceram casos de pessoas compatíveis que não foram encontradas porque os dados não estavam atualizados”, diz Eliana

A preocupação ocorre porque o sangue de cada doador cadastrado fica disponível no banco nacional e internacional até os 65 anos de idade. Sendo assim, um doador que se cadastrar aos 18 anos ficará disponível para doações durante 47 anos, por isso a importância de procurar os centros sempre que houver alteração nos dados.

Doadores - Nos últimos 10 anos, 125 mil pessoas foram cadastradas no banco de doações. E no mesmo espaço de tempo 19 pessoas doaram medula, número satisfatório para o Estado tendo em vista o índice populacional.

Entre os doadores, o mais famoso deles é o inspetor da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Anderson Sidrack. Aos 47 anos, o campo-grandense que doa sangue desde 1987 foi compatível duas vezes. Caso raríssimo, segundo os especialistas.

As duas doações ocorreram em 2009, um mês depois que Anderson se cadastrou. “Eu doava sangue há bastante tempo e quando me cadastrei no banco de medula não demorou e me chamaram. Foi uma emoção muito grande porque salvei duas vidas”, relata.

E o procedimento para se cadastrar é simples. Os interessados precisam procurar o Hemosul da Capital, localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, número 1301, e fazerem a doação de sangue normalmente. Antes da doação, é preciso falar sobre o interesse em ser doador de medula.

Dessa forma, os dados da pessoa ficam em um banco nacional e internacional e caso houver compatibilidade, o doador é encaminhado para um dos centros coletores, localizados em São Paulo ou Curitiba, por exemplo, e 5 ml de sangue são retirados da bacia ou do braço.

Em até 72 horas, conforme a coordenadora da Hemorrede, o organismo repõe a medula. “É um procedimento bastante simples que salva a vida de quem está em um momento bastante difícil”, completa Eliana.

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