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Interior

Advogado é acusado de trabalho escravo em fazenda do Pantanal

Por Francisco Júnior | 11/03/2013 13:10
Trabalhador era mantido como escravo. (Foto: Divulgação)
Trabalhador era mantido como escravo. (Foto: Divulgação)

O MPF (Ministério Público Federal) denunciou o advogado e proprietário da Fazenda Paraíso, em Corumbá, no Pantanal, por trabalho escravo. A pena para este crime é de reclusão de dois a oito anos e multa.

A denúncia foi aceita pela Justiça Federal em 4 de março de 2013. O fazendeiro é acusado de reduzir trabalhador rural à condição análoga a de escravos, sujeitando-o a situações degradantes de trabalho. A vítima trabalhava há 17 anos na Fazenda Paraíso e chegou a ficar 4 anos sem salário, recebendo apenas alimentos.

Segundo o MPF, o trabalhador, a mulher e 8 filhos viviam em péssimas condições, sem água potável e moradia digna. O flagrante foi feito pela Polícia Militar Ambiental em novembro de 2011.

Na ocasião, constatou-se que a família vivia em uma casa de pau-a-pique, revestida com barro, e chão de terra. Um banheiro rudimentar feito de madeira, com 2 metros de profundidade e a 4 metros da casa, servia à família.

A única fonte de água era uma cacimba cavada a céu aberto contendo líquido esverdeado. Não havia energia elétrica e toda a família dividia o mesmo quarto mal ventilado.

Segunda a denúncia do MPF, o trabalhador, pressionado pelo fazendeiro, modificou o seu relato e contou uma nova versão à polícia, tentando afastar a responsabilidade de seu patrão. A denúncia cita que a tentativa foi “em vão”.
A Fazenda Paraíso está localizada a 350 km de Corumbá, entre a reserva indígena Guató e o destacamento do Exército Brasileiro de Porto Índio.

O local fica na divisa entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e na fronteira com a Bolívia. Não há sinal de telefone nem internet. O acesso à fazenda é feito por via aérea ou pelo rio. A viagem de barco rápido dura sete horas.

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