Agência vende voucher de viagem, não entrega e cliente "fica a ver navios"
Segundo a Polícia Civil, ao menos oito pessoas procuraram a delegacia para denunciar a empresa

Agência de viagens com sede em Ponta Porã, a cerca de 315 quilômetros de Campo Grande, deixou uma série de clientes na mão ao longo desta semana. O caso mais recente é o da fisioterapeuta Francielly Reis, de 33 anos, que viajaria para o Rio de Janeiro (RJ) na última quinta-feira (8), mas não recebeu o voucher adquirido junto à empresa. Ela teve um prejuízo de R$ 18 mil e perdeu as férias que passaria com a família.
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Uma agência de viagens em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, está sendo acusada de golpe após deixar diversos clientes sem os vouchers de viagem adquiridos. A fisioterapeuta Francielly Reis teve prejuízo de R$ 18 mil ao comprar um pacote para seis pessoas com destino ao Rio de Janeiro. O caso ganhou repercussão e já soma mais de 550 vítimas. Entre elas, um grupo de 35 pessoas que pagou R$ 185 mil por uma viagem a Maragogi. A Polícia Civil registrou boletim de ocorrência por estelionato e investiga o caso. A empresa, Luxxor Viagens, alega que está tratando cada situação individualmente.
Ao Campo Grande News, Francielly contou que comprou, em outubro de 2025, um pacote de viagem para seis pessoas. O valor de R$ 18 mil incluía passagens aéreas e hospedagem, a cliente relata que parte desse pacote foi pago no Pix. Segundo ela, os problemas começaram ainda naquele mês, já que, após a compra, a agência demorou a entregar o contrato firmado entre as partes e a confirmar a reserva no hotel. A hospedagem chegou a ser feita em nome da fisioterapeuta, mas foi cancelada em seguida.
“Liguei no hotel para verificar a reserva e o atendente informou que havia sido cancelada. Ao entrar em contato com a agência, disseram que o cancelamento ocorreu para acrescentar mais uma diária à hospedagem”, relatou. Com o passar dos meses, Francielly acreditou que a situação havia sido resolvida. No entanto, no período em que a empresa deveria entregar o voucher para o embarque, em Campo Grande, a agência passou a postergar as respostas.
A fisioterapeuta conta que, na terça-feira (6), começou a cobrar o envio do voucher e foi informada de que o documento seria entregue “no máximo até quarta-feira”. No dia seguinte, logo pela manhã, voltou a questionar a proprietária da agência sobre quando poderia retirar os vouchers pessoalmente.
“Cheguei à loja e minha mãe já estava lá. Disseram que houve um problema com a empresa responsável pelos vouchers e que ela estaria demorando para enviar. Perguntaram se poderiam mudar o voo para sexta-feira e eu aceitei, porque retornaria ao trabalho na segunda-feira”, explicou.
Na quinta-feira (8), a situação se agravou. Francielly tentou contato por mensagens e ligações, mas não obteve resposta. Após passar toda a manhã sem retorno, decidiu ir até a agência. Segundo ela, ficou cerca de três horas em frente ao local, até que recebeu uma mensagem da proprietária informando que houve uma “falha operacional junto aos fornecedores” e que a viagem não poderia ser liberada.
Ainda conforme a fisioterapeuta, a dona da agência orientou que ela tratasse da situação com um funcionário que estaria no interior do estabelecimento. No entanto, Francielly afirma que, em nenhum momento, foi atendida presencialmente. Diante da falta de solução, resolveu relatar o caso nas redes sociais.
A publicação repercutiu no município e outros clientes começaram a chegar ao local em busca de informações sobre viagens também adquiridas com a empresa. “Chegou um rapaz que tinha viagem marcada para Cancun, no México. Depois, um casal de paraguaios relatou fazer parte de um grupo de 35 pessoas que pagaram R$ 185 mil por uma viagem para Maragogi (AL), um prejuízo ainda maior que o meu”, afirmou.
Sem conseguir retorno da agência, as vítimas registraram boletim de ocorrência. O caso foi registrado como estelionato. “Na sexta-feira, de madrugada, ela me enviou um áudio em visualização única dizendo que tentava resolver a situação e que estava sendo ameaçada desde terça-feira de manhã. Ou seja, ela já sabia que eu não viajaria e esperou para avisar em cima da hora, quando eu já estava com a mala no carro”, relatou.
Segundo Francielly, o grupo de vítimas da agência já ultrapassa 550 pessoas. “Agora é esperar pela Justiça. Pelo menos, ela não vai fazer com outras pessoas o que fez comigo. Se alguém tivesse denunciado ainda no ano passado, quando sofreu o golpe, talvez não houvesse tantas vítimas agora”, finalizou.
Procurado pelo Campo Grande News, o delegado da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã, Lucas Calixto, informou que várias vítimas procuraram a unidade. “Foi registrado um único boletim de ocorrência reunindo todas as vítimas. Até o momento, há sete ou oito pessoas formalmente incluídas no registro”, detalhou.
Segundo o delegado, o esquema funcionava da seguinte forma: os clientes adquiriam os pacotes de viagem e, quando a data do embarque se aproximava, recebiam vouchers falsos ou simplesmente deixavam de obter qualquer retorno, pois os proprietários da empresa desapareciam.
Em nota publicada nas redes sociais, a Luxxor Viagens informou que “está ciente dos rumores que estão circulando” e que todos os casos estão sendo tratados individualmente, respeitando a ordem das datas de embarque.
“Os clientes serão respondidos assim que houver uma definição, com a apresentação das opções disponíveis, incluindo remarcação ou reembolso, conforme cada situação. Por motivo de segurança, os atendimentos estão sendo realizados de forma remota, exclusivamente pelos canais oficiais da empresa”, finaliza o texto.
O Campo Grande News tentou contato com a Luxxor Viagens, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações futuras.
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