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Interior

Câmeras confrontam versões e apontam que marido e filho mataram mulher a facada

Câmeras revelam contradições nos depoimentos de pai e filho presos no fim de semana

Por Dayene Paz | 23/02/2026 12:37
cCâmeras confrontam versões e apontam que marido e filho mataram mulher a facada
Nilza, que foi morta com uma facada no abdome. (Foto: Redes sociais)

O marido e o filho de Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, são suspeitos de matá-la a facada na madrugada deste domingo (22), no Bairro Senhor Divino, em Coxim, cidade a 253 km de Campo Grande. A vítima foi atingida na região abdominal, teve uma artéria lesionada e morreu ainda no local, após intensa hemorragia.

RESUMO

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Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, foi assassinada com uma facada no abdome na madrugada de domingo (22), em Coxim, Mato Grosso do Sul. O marido, Márcio Pereira da Silva, de 46 anos, e o filho, Gabriel Lima da Silva, de 22 anos, são os principais suspeitos do crime, que é o terceiro feminicídio do estado em 2024.A vítima já havia denunciado o marido por violência doméstica em abril, relatando ameaças de morte e agressões. O filho também possui histórico de infrações relacionadas à Lei Maria da Penha. Ambos os suspeitos foram presos temporariamente e aguardam audiência de custódia.

O crime é o terceiro feminicídio registrado neste ano em Mato Grosso do Sul. Nilza foi encontrada sem vida dentro da residência, com indícios de luta corporal. O Corpo de Bombeiros Militar esteve no imóvel e constatou o óbito.

Segundo o boletim de ocorrência, o marido, Márcio Pereira da Silva, de 46 anos, relatou à Polícia Militar que saiu de casa e deixou Nilza e o filho, Gabriel Lima da Silva, de 22 anos, na residência. Ao retornar, afirmou ter encontrado a mulher morta sobre um colchão na sala.

Contudo, ele apresentou duas versões sobre o ocorrido, alterando principalmente o horário dos fatos, e em ambas apontou o filho como autor do crime. Durante o atendimento, apresentou comportamento agressivo e foi detido para prestar esclarecimentos. Gabriel foi localizado após deixar o imóvel e conduzido à delegacia às 9h50. Ele negou a autoria e acusou o pai de ter matado a mãe.

Imagens de câmeras de segurança de residências vizinhas registraram a movimentação dos envolvidos antes e depois do crime, inclusive no interior da casa. As gravações contribuíram para a apuração dos fatos e confrontaram as versões apresentadas.

Diante das contradições e dos elementos colhidos, a Polícia Civil representou pela prisão temporária de marido e filho. A medida foi deferida pelo Poder Judiciário para assegurar o andamento das investigações. Foram solicitados exames periciais, incluindo necroscópico e outras análises técnicas para esclarecer a dinâmica do crime.

Nilza já havia denunciado o marido por ameaça e violência doméstica em abril de 2024. Em boletim registrado no dia 14 daquele mês, ela relatou ameaças constantes de morte, perseguições e agressões físicas e psicológicas. Segundo o documento, Márcio teria tomado o celular da vítima e expulsado Nilza e Gabriel de casa.

A mulher afirmou ainda que já havia sido ameaçada com faca, além de sofrer chutes, tapas e empurrões. Em uma das ocasiões, ele teria dito que “se não for minha, não será de mais ninguém”. Apesar das denúncias, Nilza optou por não representar criminalmente e nem solicitar medida protetiva.

Gabriel possui registros de atos infracionais, com anotações relacionadas à Lei Maria da Penha, como ameaça, lesão corporal, descumprimento de medida protetiva, além de furto. Há também boletim de ocorrência por ameaça registrado pelo pai em 18 de abril de 2024, quatro dias após ele e a mãe procurarem a delegacia.

Maus-tratos - No imóvel, também foi constatada situação de maus-tratos a animais. Uma cadela com vários filhotes foi resgatada pela Polícia Civil com apoio de uma ONG, que presta atendimento veterinário antes de encaminhá-los para adoção responsável.

Marido e filho de Nilza permanecem à disposição do Poder Judiciário e aguardam audiência de custódia na Delegacia de Polícia de Coxim.

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