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Interior

Campanha arrecada repelentes após mortes por chikungunya em Dourados

Cidade vive epidemia, com problema mais sério em aldeias indígenas, mas falta o produto no mercado

Por Gabi Cenciarelli | 01/04/2026 14:58
Campanha arrecada repelentes após mortes por chikungunya em Dourados
Repelentes sendo recolhidos pelo grupo (Foto: Divulgação)

Em meio à epidemia de chikungunya em Dourados, uma campanha passou a arrecadar repelentes para atender indígenas e famílias em situação de vulnerabilidade, em uma região onde a doença já provoca uma crise de saúde pública.

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O Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul realiza campanha de arrecadação de repelentes para indígenas e famílias vulneráveis em Dourados, epicentro de uma epidemia de chikungunya que já registra mais de mil casos confirmados e sete mortes no estado. As doações podem ser feitas na sede do CRF-MS, em Campo Grande, ou entregues a farmacêuticos fiscais e conselheiros.

A mobilização é organizada pelo CRF-MS (Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul) e tem como foco principal as aldeias Bororó e Jaguapiru, que formam a maior reserva indígena urbana do país e concentram os casos mais graves da doença.

A situação é considerada crítica pelas autoridades de saúde. O município já soma mais de mil casos confirmados e registra mortes, incluindo idosos e dois bebês. Equipes da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) atuam na região, enquanto o Governo Federal reconheceu a situação de emergência.

Diante desse cenário, a campanha busca ampliar o acesso a repelentes, considerados uma das principais formas de prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya.

Campanha arrecada repelentes após mortes por chikungunya em Dourados
Atendimento de saúde em comunidade indígena de Dourados (Foto: Divulgação)

As doações podem ser feitas diretamente na sede do CRF-MS, localizada na Avenida Rodolfo José Pinho, 66, no bairro São Bento, em Campo Grande. Também é possível entregar os produtos a farmacêuticos fiscais e conselheiros regionais e federais.

Farmácias, drogarias, distribuidoras e a população em geral podem participar da iniciativa, adquirindo repelentes e destinando às famílias afetadas pela epidemia.

Segundo a presidente do conselho, Daniely Proença dos Santos, o aumento dos casos já impacta diretamente o comportamento da população e a procura por medicamentos.

“A gente vem acompanhando com preocupação esse aumento na busca por antitérmicos, como paracetamol e dipirona, que apesar de serem livres de prescrição, não são livres de orientação. Cabe ao farmacêutico orientar sobre os riscos, principalmente de intoxicação”, afirma.

Ela também alerta para o uso inadequado de outros medicamentos. “Os antigripais muitas vezes têm ácido acetilsalicílico, que em casos de dengue pode agravar o quadro e levar a complicações hemorrágicas. Já os anti-inflamatórios podem mascarar sintomas e piorar a situação clínica”, explica.

Outro reflexo direto da epidemia é o aumento na procura por repelentes, que chegou a quase 300% entre fevereiro e março, segundo o conselho.

“A gente tem feito um trabalho de conscientização e também essa campanha para arrecadar repelentes e levar para quem mais precisa, especialmente na região de Dourados. É um momento em que essa população precisa ser acolhida”, diz.

As doações arrecadadas passam por triagem da assessoria técnica do conselho antes de serem encaminhadas ao município. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 99844-9371.

O avanço da doença já deixou sete mortos em Mato Grosso do Sul neste ano, segundo dados oficiais, e colocou o Estado como o de maior incidência de chikungunya no país. Dourados concentra os casos mais graves, com transmissão intensa nas aldeias indígenas, onde equipes de saúde seguem mobilizadas para conter o surto.

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