Foragido, ex-secretário de governo sumiu do trabalho 18 dias antes da operação
Investigação aponta que Vagner Guimarães recebeu R$ 936.239,00 em propina da clínica de saúde Prontomed

Investigado no âmbito da Operação Auditus por integrar um esquema de corrupção, fraudes licitatórias e lavagem de dinheiro no setor da saúde, o ex-secretário municipal de governo de Nioaque, Vagner Alves Ribeiro Guimarães, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. No entanto, 18 dias antes de se tornar alvo da ordem judicial, o servidor faltou sem justificativa ao trabalho em outra prefeitura da região e acabou exonerado.
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Ex-secretário de Nioaque teve prisão preventiva decretada por integrar esquema de corrupção, fraudes licitatórias e lavagem de dinheiro na saúde. Vagner Guimarães direcionava licitações à empresa Prontomed desde 2022 e recebeu propina de R$ 936 mil. Dezoito dias antes da ordem judicial, ele faltou sem justificativa ao trabalho em Jardim e foi exonerado. A juíza May Melke decretou a prisão por risco de fuga na região de fronteira.
Conforme registros do Diário Oficial da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul), Vagner ocupava o cargo comissionado de assessor governamental na Secretaria Municipal de Governo e Gestão Estratégica da Prefeitura de Jardim.
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Na portaria assinada pelo prefeito Juliano da Cunha Miranda (Guga), o município determinou o desconto em seus vencimentos por faltar ao serviço de forma não justificada entre os dias 27 e 31 de julho de 2026. No dia seguinte às ausências, em 1º de agosto de 2026, ele foi oficialmente exonerado do cargo comissionado.
A reportagem falou com Vagner por aplicativo de mensagem, mas ele não deu detalhes sobre onde estaria nem sobre a razão de ter sido exonerado e não apresentou contato de seu advogado. Ele se limitou a perguntar se a busca por informações seria para uma matéria e, após a resposta positiva, não disse mais nada.
Fraudes - As investigações conduzidas pelo Ministério Público Estadual, por meio do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), apontam que Vagner Guimarães atuava diretamente no direcionamento de processos licitatórios na área da saúde em favor da empresa Prontomed Clínica Médica desde 2022, quando era secretário de governo em Nioaque.
Segundo a decisão, em apurações referentes a um contrato de 2022, Vagner encaminhou uma planilha contendo exatamente os valores que deveriam ser adotados na cotação de preços, 14 dias antes da assinatura do contrato. A análise técnica comprovou que os valores eram idênticos e serviram para manipular a pesquisa de preços e simular concorrência.
O mesmo padrão repetiu-se em pregão no ano seguinte. Dados interceptados revelaram conversas nas quais Vagner informava a ex-secretária de Saúde do município, Márcia Cristiane Missioneira Jara, sobre os trâmites e solicitava o envio da minuta do edital (antes da publicação oficial) para a proprietária da Prontomed, Bianca Aguilar, a fim de verificar se o documento estava de acordo com o combinado para garantir a vitória da empresa.
Ainda de acordo com os relatórios técnicos encartados na decisão, Vagner assegurou aos empresários investigados que monitoraria a retirada do edital e garantiu que não haveria empresas concorrentes no certame.
Propina - Além de viabilizar o direcionamento das licitações, a investigação revelou indícios contundentes de recebimento de vantagem pecuniária indevida (propina) por parte do ex-secretário.
Relatório técnico da Unidade de Combate aos Crimes de Lavagem de Capitais do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) identificou um nexo financeiro direto entre saques em espécie efetuados pelos donos e gestores da Prontomed e depósitos realizados na conta de Vagner.
Conforme o levantamento contábil, logo após a Prefeitura Municipal efetuar os pagamentos à empresa por serviços de saúde, os donos da Prontomed realizavam vultosos saques em dinheiro vivo. Em seguida, eram feitos depósitos sucessivos em espécie na conta bancária de Vagner Guimarães, totalizando R$ 936.239,00 sem qualquer identificação de origem.
Diante do risco à aplicação da lei penal, da contemporaneidade das condutas e do perigo de fuga na região de fronteira, a juíza de Direito May Melke Amaral Penteado Siravegna decretou a prisão preventiva do investigado, a quebra de sigilo telemático dos aparelhos eventualmente apreendidos e autorizou o compartilhamento das provas com outros órgãos de controle.
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