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Carros anoiteceram cobertos de branco em cidade que bateu recordes de frio em MS

Recorde em MS, moradores de Iguatemi sentiram frio de até -11°C nesta madrugada

Por Paula Maciulevicius Brasil | 30/07/2021 09:29
Ontem à noite, escrita em cima de carro mostra o frio que Iguatemi fez. (Foto: Direto das Ruas)
Ontem à noite, escrita em cima de carro mostra o frio que Iguatemi fez. (Foto: Direto das Ruas)

Quando o relógio marcou 3h30 da manhã, a neném de Jéssica Turaça, de 28 anos, despertou. A menininha de 1 ano e 6 meses podia até não sentir o frio, já que estava em casa no aquecedor, mas porta afora, os termômetros chegaram a marcar -2,8°C, com sensação térmica de -11°C, um recorde para Mato Grosso do Sul.

A família mora em Iguatemi, cidade distante 466 quilômetros da Capital, e onde faz muito, mas muito frio mesmo. "Eu acordei e estava -1 grau", conta a mãe, Jéssica. Campo-grandense, faz um ano que ela deixou a Capital para morar em Iguatemi, onde trabalha na panificadora da família do marido.

Enilda e Kelvis, donos de padaria na cidade tentando se esquentar no sol. (Foto: Arquivo Pessoal)
Enilda e Kelvis, donos de padaria na cidade tentando se esquentar no sol. (Foto: Arquivo Pessoal)

A foto ao lado mostra a sogra, dona Enilda e o marido de Jéssica, Kelvis, tentando se aquecer no sol em frente à panificadora. Atendendo aos clientes, Jéssica descreve que para se esquentar vestia duas calças, duas meias e quatro casacos.

A padaria abre 4h45 da manhã e a comerciante jura que já tinha fila de gente esperando um pão quentinho. "Tem fila pra comprar pão, a gente vende bem mais, quase que dobrou", conta.

Jéssica diz que está se acostumando com o frio, no começo até sentia mais. "Depois parece que o corpo se habitua com a temperatura baixa, que nem agora, está todo mundo muito bem agasalhado, está fazendo 3ºC lá fora, mas está bem mais tranquilo", diz.

Por ser divisa com o Estado do Paraná, os moradores até que são acostumados com o frio. No entanto, esta onda surpreendeu. "Em cima dos carros estava tudo branco", fala Jéssica sobre a geada.

Caixa no mercado Dallas, também em Iguatemi, Jaqueline Soares Lima, de 22 anos, é natural da cidade e se lembra de frios assim só na infância. Mesmo sendo nascida e criada em Iguatemi, ela diz que não tem como se acostumar. "A maioria das pessoas preferem o calor mesmo", comenta.

A notícia de que a cidade registrou sensação térmica de -11°C correu logo cedo. "Quando fiquei sabendo, assustei e olhei no termômetro do celular e estava -1°C de temperatura. Aí foi assustador", completa.

Para se proteger do frio, ela está trabalhando com duas calças, toucas e pelo menos quatro blusas.

Cheio de casaco, Zé Roberto dentro do estúdio onde apresenta programa de rádio em Iguatemi. (Foto: Arquivo Pessoal)
Cheio de casaco, Zé Roberto dentro do estúdio onde apresenta programa de rádio em Iguatemi. (Foto: Arquivo Pessoal)

O meteorologista Natálio Abrahão, foi quem anunciou a tal sensação térmica recorde no Estado. "Não é o mesmo que temperatura lida, é a temperatura que o corpo sente. Muitas vezes, você tem uma temperatura e ela sofre influência da velocidade do vento e da umidade. Então, numa mesma hora, você tem uma temperatura e uma sensação diferentes", explica.

Na lembrança dele, não se tem registro de valores tão baixos de sensação térmica assim. "Nós já tivemos -5°C, -6°C, até -7°C, mas de -11° não me lembro. Isso ocorreu na hora que fizemos a leitura e o vento estava com 33km/h", descreve.

Radialista no município, Zé Roberto Soares, de 52 anos, está há seis meses em Iguatemi e conta que passou a madrugada mais fria do ano. O programa que ele apresenta: Conversando com Zé, entra ao ar às 6h da manhã, e às 5h quando ele se levantou, a sensação térmica era de -4°C.

"Faziam anos que eu não sentia um frio assim, e olha, pegou todo mundo de surpresa aqui, ninguém esperava que seria um frio tão grande assim", comenta.

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