Chuva alaga túnel entre bairros e mulher fica presa em carro submerso
Temporal fez córregos transbordarem, atingiu residências e mobilizou equipes da prefeitura
RESUMO
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A chuva de 64,9 milímetros registrada em pouco mais de uma hora nesta quinta-feira (5) provocou alagamentos em casas, deixou carros submersos e fez córregos transbordarem em Dourados, a 251 quilômetros de Campo Grande. No túnel sob a BR-163, que liga os bairros Parque das Nações I e II, uma mulher de 22 anos ficou presa em um Gol branco atingido pela enxurrada. O marido precisou nadar até o veículo para resgatá-la.
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O volume de chuva consta nos dados do Guia Clima, da Embrapa Agropecuária Oeste. O temporal atingiu diferentes regiões da cidade, principalmente áreas mais baixas e próximas aos córregos. Além do Gol, um Corsa Sedan ficou submerso na Vila Cachoeirinha, um dos bairros mais afetados.
No túnel sob a BR-163, o acúmulo de água dificultou a passagem de veículos. A jovem seguia para o trabalho quando o carro ficou alagado. Segundo a Prefeitura de Dourados, um galho de árvore bloqueou um bueiro e impediu o escoamento da enxurrada. Folhas e outros materiais também se acumularam no sistema de drenagem.
Equipes da Semsur (Secretaria Municipal de Serviços Urbanos) começaram a trabalhar por volta das 5h30 para liberar a passagem da água. “Recebemos a informação de que o túnel apresentava alagamento e prontamente fomos ao local”, afirmou o secretário-adjunto Angelo Augusto Gomes. Segundo ele, a desobstrução resolveu o problema. O trecho tem histórico de alagamentos durante chuvas intensas.
O temporal também elevou consideravelmente a vazão do Córrego Água Boa, inclusive no trecho que passa sob a BR-463, na saída para Ponta Porã. O córrego transbordou nas partes mais baixas do BNH 4º Plano e da Vila Cachoeirinha, onde a água atingiu residências próximas às margens.
A Defesa Civil também registrou transbordamentos na bacia do Córrego Engano, na região dos Parques das Nações I e II, e no Córrego Paragem, principalmente nas proximidades da ponte da Rua Mozart Calheiros, no Jardim Água Boa.
Segundo o coordenador da Defesa Civil, Johnes Santana, os imóveis mais atingidos ficam próximos aos cursos de água ou abaixo do nível das ruas. “Foram afetadas casas próximos às margens ou bem próximas a córregos, bem como aquelas abaixo do nível de ruas”, relatou. Até o momento do balanço divulgado pela prefeitura, não havia registro de pessoas feridas.

Equipes nas ruas
A prefeitura mobilizou servidores da Semsur e da Defesa Civil para atender às ocorrências. Os trabalhos incluem limpeza de bueiros, retirada de árvores e galhos que obstruíram vias públicas e assistência às famílias atingidas.
A Defesa Civil também presta apoio a moradores que tiveram casas alagadas ou destelhadas, com fornecimento de lonas, remoção de materiais e auxílio na recuperação dos imóveis.
Obras prejudicadas
Além dos alagamentos, a chuva interrompeu serviços de recuperação do asfalto em diferentes regiões de Dourados. A prefeitura executa aproximadamente 27 quilômetros de recapeamento, mas depende de períodos sem chuva para dar continuidade aos trabalhos.
A chuvarada dos últimos dois meses piorou a buraqueira na maioria dos bairros, onde quarteirões inteiros estão com a pavimentação deteriorada.
Nesta quinta-feira, a administração municipal também precisou cancelar o início da pavimentação asfáltica no distrito de Macaúba. As máquinas já estavam no local para o começo dos serviços, mas o temporal impediu a execução.
Durante vistoria aos pontos atingidos, o prefeito Marçal Filho (PSDB) afirmou que a intensidade das chuvas tem dificultado a recuperação das ruas. “Mesmo com bocas de lobo e bueiros, não há como dar vazão a tanta água”, declarou.
O prefeito também atribuiu parte dos problemas do pavimento à deterioração do asfalto antigo e à falta de conservação ao longo dos anos. Segundo ele, algumas ruas não possuem estrutura suficiente para suportar o tráfego de caminhões e carretas, o que exige intervenções mais profundas do que operações de tapa-buracos.
A prefeitura informou que pretende retomar os serviços de recapeamento e recuperação das vias assim que as condições climáticas permitirem.
Enquanto isso, a Defesa Civil mantém o monitoramento das áreas mais vulneráveis e orienta os moradores a não atravessarem ruas alagadas ou com enxurradas. A população também deve evitar árvores com risco de queda e manter distância de fios elétricos caídos. Em caso de emergência, o atendimento pode ser solicitado pelo telefone 199.

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