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Interior

Covid matou Gian Carlos aos 29 anos, uma das vítimas mais jovens de MS

Pai do jovem, que tinha apenas 29 anos, acredita que o fato do filho ter diabetes, agravou o quadro de saúde

Por Lucia Morel | 24/06/2020 07:48
Gian Carlos é a 55ª vítima fatal de covid em MS, e faleceu na manhã de terça-feira na Santa Casa de Corumbá. (Foto: Arquivo Pessoal)
Gian Carlos é a 55ª vítima fatal de covid em MS, e faleceu na manhã de terça-feira na Santa Casa de Corumbá. (Foto: Arquivo Pessoal)

Nove dias. Esse foi o tempo entre Gian Carlos Santana de Souza, 29 anos, descobrir que estava com covid-19 e falecer em Corumbá,  a 428 Km de Campo Grande. Jovem e diabético, o pai dele, José Carlos Santana de Souza, 52, lembra que “foi rápido, muito rápido”.

A lembrança de José é de um filho forte e brincalhão, que há um ano começou a fazer tratamento para diabetes e de lá pra cá, “emagreceu muito”. O rapaz, segundo o pai, chegou a pesar 90 quilos, mas ao falecer, estava com 63.

Desempregado, Gian Carlos, ao descobrir que estava com o novo coronavírus, em 14 de junho, não imaginava onde poderia ter se infectado. “Isso aí a gente não sabe, não faz ideia”, diz o pai, lamentando o que chama de descaso da prefeitura, que ainda não fez nenhum teste para detecção da doença nos familiares que o acompanhavam frequentemente. “Nem orientaram que a gente ficasse isolado”, reclamou.

Trabalhador em embarcação, José Carlos lembra que foi ele quem levou o filho para uma primeira avaliação médica quando ele começou a passar mal, com dores nas costas e no peito, no dia 12 de junho. Encaminhado para exame, Gian o fez e o resultado saiu dois dias depois.

Gian Carlos, em foto de janeiro de 2019, segundo detalhes do perfil dele no Facebook. (Foto: Arquivo Pessoal)
Gian Carlos, em foto de janeiro de 2019, segundo detalhes do perfil dele no Facebook. (Foto: Arquivo Pessoal)

Assim que o diagnóstico de covid-19 saiu, a orientação foi de que Gian ficasse isolado e voltasse para atendimento caso sentisse falta de ar. Também foi receitado para ele, segundo o pai, Azitromicina, o que segundo ele, “não adiantou”, porque, dias depois, a dificuldade respiratória chegou e Gian foi internado, em 19 de junho, ficando no Pronto Socorro. Vaga em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) foi conseguida um dia depois.

“Ele contou que não conseguiu dormir direito de 18 para 19, com muita falta de ar. Ele internou na sexta e faleceu hoje (terça-feira, 23 de junho)”, lamenta o pai, que tem outros cinco filhos.

Para José Carlos, a diabetes prejudicou muito o filho, que o fez emagrecer. “Ele tinha parado o remédio de diabetes tinham uns três meses, porque tentava controlar com alimentação, mas não dava mais, tinha subido muito”, contou.

José Carlos enfatiza que “essa doença é grave” e “quem está infectado e não sabe, pode passar para quem tem imunidade baixa”, que são justamente as pessoas mais vulneráveis, que podem ir a óbito.

Para ele, o município de Corumbá “está deixando a desejar” no cuidado e no combate à doença, principalmente diante da rapidez com que a doença evolui e se agrava. “Tem que comprar mais testes e isolas as pessoas contaminadas”, destaca.

Apesar disso, na lembrança, o pai diz que fica com a alegria do filho, que segundo ele era “conhecido e amado” na cidade.  “Era alegre, sincero, brincalhão e muito feliz. Sempre me abraçava e falava que me amava muito, a mãe dele e seus irmãos”, detalha.

Colaborou o jornalista Erick Souza, de Corumbá.

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