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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

24/11/2015 18:42

Em visita de prefeito, mineradora Vale nega ter barragem de alto risco em MS

Caroline Maldonado
Prefeito se reuniu com gerente de Operações e visitou barragem da Vale em Corumbá (Foto: Divulgação/Prefeitura)Prefeito se reuniu com gerente de Operações e visitou barragem da Vale em Corumbá (Foto: Divulgação/Prefeitura)

O prefeito Paulo Duarte (PT) visitou hoje (24) a barragem Gregório, instalada no Morro Santa Cruz, em Corumbá, a 419 quilômetros de Campo Grande. Das 15 unidades que a mineradora Vale tem no município, apenas essa é considerada de médio porte.

O gerente de Operações da Vale na região, Olemar Tibães Júnior, disse que todas as barragens da empresa na cidade são consideradas de baixo risco, ao contrário do que divulgou o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).

Dados fornecidos ao Campo Grande News pelo departamento, que integra o Ministério de Minas e Energia, apontam que a Vale tem duas barragens com rejeitos de minério de alto risco em Corumbá. A informação gerou receio em vista do acidente na barragem da Vale em sociedade com uma empresa anglo-australiana, que desabou e destruiu um distrito, em Mariana, Minas Gerais. O acidente causou mortes e devastou o Rio Doce, no dia 5 de novembro. 

O gerente de Operações disse hoje ao prefeito que esses dados estão desatualizadas, por isso as informações divergem. “Todos os laudos e estudos foram encaminhados para o DNPM em março deste ano, mas as informações no órgão não foram atualizadas”, justificou Olemar.

Por serem todas de baixo risco, não há perigo de um eventual rompimento da barragem afetar o Pantanal ou a cidade, segundo o Olemar. “É feita um vistoria semanal no local e nunca constatamos nenhum vazamento de água, que é o grande perigo para uma barragem”, afirmou Olemar.

Satisfeito com as explicações, o prefeito destacou a importância da empresa abrir as portas para explicar como é feito o trabalho de mineração no município, além de tranquilizar a população. “Pela primeira vez estamos aqui, buscando saber como o processo de mineração funciona e a Vale se mostrou muito solícita e está de portas abertas para quaisquer explicações, não somente para o Poder Público Municipal, como também para o Ministério Público, DNPM e outros órgãos estaduais”, disse Duarte.

Em nota, a Vale garantiu que na atualização protocolada no início de 2015, mas ainda não refletida no cadastro, todas as barragens da Vale no Centro-Oeste estão classificadas na categoria de risco baixo, classificação que leva em conta as características técnicas, o estado de conservação e a existência de plano de segurança de barragens.

“A fiscalização das barragens é feita periodicamente pelo DNPM. Além disso, a cada três anos é realizada uma auditoria externa por uma consultoria especializada. As estruturas passam por inspeções visuais e são monitoradas por instrumentos que dão respostas com relação ao seu comportamento estrutural. Os dados dos monitoramentos são analisados por engenheiros geotécnicos, que avaliam frequentemente se os níveis de leituras dos instrumentos estão condizentes com as condições de operação normal das estruturas”, diz a nota.

Prefeito se mostrou satisfeito com a recepção da equipe técnica da Vale (Foto: Divulgação)Prefeito se mostrou satisfeito com a recepção da equipe técnica da Vale (Foto: Divulgação)

Impactos – A água que resulta da extração mineral é bombeada por um sistema próprio e utilizada para molhar as estradas da área de lavra. Se uma chuva extremamente forte atingir a região, um extravasor (equipamento que lembra muito um sangradouro, ou ladrão, existente nas caixas d’água residenciais) escoaria o líquido de forma adequada e impediria uma pressão maior no reservatório, segundo o gerente da barragem.

“Esse extravasor existe, funciona, mas nunca precisou ser usado. Precisaríamos ter uma chuva que nunca caiu em 10 mil anos para que ele entrasse em operação. Mesmo assim ele está aqui, pronto para uso”, reforçou o gerente da Vale. Outro motivo apresentado pela Vale para descartar qualquer dano ao Pantanal ou mesmo à região do distrito de Antônio Maria Coelho, é o tipo de rejeito gerado na extração do ferro.

“Esse material é inerte, de alta compactação”, detalhou Olemar. Se por algum fator externo a barragem Gregório se rompesse, esse material atingiria, no máximo, 1,8 quilômetro de extensão. Isso por causa da densidade do resíduo e da própria geografia do local. O córrego mais próximo dali é o Piraputanga, cuja nascentes ficam localizadas a quase quatro quilômetros de distância da barragem, segundo o gerente.



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