“Eu quero o meu pai”: filha de 7 anos desaba ao saber da morte de soldado da PM
A mãe, Aline Batista, adiou a notícia e contou à criança no dia seguinte, com apoio da família e de psicóloga
“Eu quero o meu pai. Por que que mataram o meu pai? Por que que foi com ele?”. Foi com essa sequência de perguntas em desespero que Cecília, de 7 anos, reagiu ao saber da morte do pai, o soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva, em Corumbá.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Cecília, de 7 anos, ficou arrasada ao saber da morte do pai, o soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva, baleado durante uma ocorrência em Corumbá na terça-feira (30). A mãe, Aline Batista, adiou a notícia e contou à criança no dia seguinte, com apoio da família e de uma psicóloga. O velório ocorre na capela da Pax Cristo Rei e o sepultamento está marcado para as 10h no cemitério Santa Cruz.
A mãe da menina, Aline Batista, contou ao Campo Grande News na manhã desta quarta-feira (1º), enquanto seguia para a capela da Pax Cristo Rei, onde Marcelo está sendo velado, que decidiu adiar a notícia na noite da morte do policial, na terça-feira (30), por não conseguir enfrentar a reação da filha.
- Leia Também
- "Combateu o bom combate": colegas se despedem de soldado morto em serviço
- Soldado morto em Corumbá sonhava com a PM e tentou salvar colega
“No dia que ele faleceu eu resolvi não contar para ela. Eu não tive coragem de contar para ela sabendo como que ela ia ficar. Deixei ela dormir”, relatou.
Segundo ela, a criança não conseguiu dormir durante a madrugada e só descansou perto do amanhecer. “Ela não dormiu. Dormiu já era 6 horas da manhã”.
A conversa sobre a morte só aconteceu no dia seguinte, já no contexto do velório e com apoio da família paterna e de uma psicóloga. “Quando foi 15h eu fui na casa dos pais dele. Avisei os pais dele que eu ia lá para a gente contar tudo junto para ela. Eles tinham chamado uma psicóloga para ajudar”, disse Aline.
A profissional participou da explicação para a criança. “A moça começou a contar que o pai dela virou uma estrelinha, que ele sempre vai estar cuidando dela”.
A reação foi imediata. “Ela ficou arrasada. Ela tá arrasada até agora. Ela começou a gritar, começou a chorar”, relatou a mãe.
Aline descreve Cecília como profundamente ligada ao pai. “Ela é apaixonada no pai dela. Ele sempre foi um pai presente”. Mesmo com a rotina de trabalho do policial, os dois mantinham convivência constante. “Buscava ela na escola, saíam para comer, ele levou ela na inauguração do Bob’s aqui em Corumbá. Ela dormia na casa dele também”.
A mãe afirma que a ausência era compensada sempre que possível. “Ele fazia vários plantões. Quando tinha tempo, pegava ela, levava com ele, ficava na mãe dele. Os pais dele também são apaixonados nela”.
A semelhança entre os dois também é algo que chama atenção da família. “Ela é cópia dele, parece que tirou xerox. Idêntica com ele”, disse Aline. A própria menina reforça essa ligação: “Eu sou a cara do meu pai”.

Um dos encontros marcantes entre pai e filha aconteceu no aniversário da criança, em 6 de junho. Mesmo de serviço, Marcelo conseguiu passar rapidamente para vê-la. “Ele passou com os amigos dele, chegaram de moto lá, ela ficou toda feliz”, lembrou a mãe.
Aline também relembrou o comportamento da filha na madrugada anterior à morte do policial, um episódio que hoje ganha outro peso na memória. “Ela não queria ninguém… deitou na sala, na porta, pegou um travesseiro, deitou no chão e não dormiu”.
Para ela, a recusa em ficar sozinha parecia um sinal. “Então parece que ela já estava sentindo. Ela sentiu, eu acho”.
A morte de Marcelo ocorreu durante uma ocorrência policial em Corumbá, na noite de terça-feira (30), quando ele foi baleado durante uma perseguição. Natural da cidade, ele integrava a Polícia Militar e atuava no Getam (Grupamento Especial Tático em Apoio Motociclístico), no 6º Batalhão.
O velório acontece na capela da Pax Cristo Rei, iniciado às 16h desta quarta-feira. O sepultamento está marcado para as 10h no cemitério Santa Cruz.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.



