Ranger estava com motor fundido, mas Igor encarou 1,4 mil km com ela
Aos 25 anos, ele foi até Santa Catarina buscar uma caminhonete comprada pela internet e voltou para MS

Igor Fernandes, de 25 anos, gosta de carros antigos desde pequeno, influência que veio de casa. Em maio deste ano, a paixão virou aventura quando ele embarcou em um avião para Santa Catarina com um amigo para buscar uma Ford Ranger 1995 que havia comprado pela internet. O detalhe é que a caminhonete estava com o motor fundido.
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Igor Fernandes, de 25 anos, viajou de avião de Campo Grande até Santa Catarina para buscar uma Ford Ranger 1995 comprada pela internet com o motor fundido. Com peças na bagagem e um motor reserva na carroceria, ele e um amigo percorreram cerca de 1,4 mil quilômetros até o Mato Grosso do Sul enfrentando imprevistos, como falha na partida e peças se soltando. A paixão por carros antigos é herança do pai, Ednei, 59, dono de uma Caravan.
Mesmo assim, a ideia era voltar para Campo Grande rodando. Igor chegou a levar outro motor na carroceria, caso precisasse fazer a troca durante os cerca de 1,4 mil quilômetros de estrada.
“Eu e um amigo fomos de avião para buscar um carro fundido. Esse carro tinha que andar uns 400 quilômetros. A gente pegou o carro lá, estava bem abandonado. Na hora eu falei: ‘Meu Deus do céu, o que eu tô fazendo?’”, conta.
Antes de pegar a estrada, teve banho de loja improvisado em um lava-jato que ficava ao lado da garagem onde a Ranger estava. Depois, foi hora de tentar fazer o motor funcionar. Com algumas peças que Igor havia levado na bagagem, o amigo conseguiu resolver o problema ainda no local.
A viagem começou e, como era de se esperar de uma caminhonete que estava parada havia anos, os imprevistos apareceram. Em uma das paradas, após abastecer, a Ranger simplesmente não quis mais dar partida.
“Ela assustou. A gente colocou cinco litros, abasteceu e ela já não deu partida mais. Aí começou a zoeira, mas depois a partida foi”, lembra.
O maior susto veio já no Paraná. Igor e o amigo decidiram aproveitar que estavam no Estado para descer até o litoral. O caminho tinha trechos de asfalto ruim e a previsão acabou se confirmando: algumas peças começaram a se soltar.
“No outro dia, nós amanhecemos num posto apertando e engraxando, porque tinha afrouxado tudo, as rodas”, relata.
Depois dos reparos, a dupla seguiu viagem. Ainda passou por Maringá (PR) para conferir a caminhonete e, finalmente, conseguiu chegar a Campo Grande.
Para Igor, a viagem acabou se tornando a maior aventura que já viveu com um carro. A expectativa, segundo ele, era justamente não saber se a Ranger conseguiria completar o trajeto.
“Eu acho que o mais legal foi essa de mil e poucos quilômetros com o carro vendido como fundido. A expectativa era talvez de nem chegar. Foi top”, afirma.
A paixão por carros começou em casa, por conta do pai, Ednei Fernandes, de 59 anos. Os dois estiveram juntos em um encontro de carros antigos em Campo Grande, cada um com sua própria relíquia.
Ednei teve um Opala Diplomata 1988, com o qual viajou bastante nos anos 1990. Após vender o carro, passou cerca de 30 anos sem ter um Opala até encontrar uma Caravan na cidade de Uberaba (MG), em 2020.
“Eu tive um Opala 88, Diplomata, em 92. Viajei muito com ele, gostei, depois tive que vender e fiquei 30 anos sem Opala. Aí agora, em 2020, busquei essa Caravan lá em Uberaba”, conta.
Hoje, o carro é usado para passeios de fim de semana. E, por enquanto, continua guardado na garagem.
A história do Opala também virou uma daquelas lembranças que ficam ainda mais curiosas com o passar dos anos. O pai de Igor conta que trocou o carro por uma Parati, sem imaginar que os modelos antigos voltariam a ser tão valorizados.
“Quando eu vendi o meu Opala 88, eu troquei ele em uma Parati que hoje vale uns R$ 5 mil. E o Opala, se eu tivesse ele, valeria uns R$ 70 mil, R$ 80 mil. Não sabia que ia explodir o valor”, comenta.
Igor também acompanha essa valorização. Para conseguir comprar a Ranger, acabou escolhendo justamente uma que precisava de bastante trabalho. Hoje, depois da manutenção, diz que já se sente mais tranquilo para colocar a caminhonete novamente na estrada.




