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Capital

Prisão por tempo indeterminado manda cardiologista para Centro de Triagem

João Jazbik Neto passou por audiência hoje; ele é investigado pela morte da mulher Fabíola Marcotti

Por Silvia Frias | 15/08/2026 12:54


O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, teve a prisão preventiva, sem prazo determinado, mantida pela Justiça, após audiência de custódia realizada neste sábado (15), em Campo Grande. Depois do procedimento, ele foi encaminhado ao Centro de Triagem. A ordem de prisão foi expedida pela 2ª Vara do Tribunal do Júri, no processo que apura a morte da esposa dele, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti.

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Médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, teve prisão preventiva decretada pela Justiça após audiência de custódia em Campo Grande (MS), no sábado (15). Ele é investigado pela morte da esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, encontrada com um tiro na cabeça em maio. A defesa nega envolvimento e afirma que o inquérito ainda não foi concluído.

Neste sábado, Jazbik foi o último a sair do Fórum, onde a audiência de custódia foi realizada. Algemado, ele entrou van às 12h47.

O mandado de prisão foi cumprido às 20h30 de sexta-feira (14) pela Polícia Civil. O documento informa que a prisão preventiva foi determinada para garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal. Na manhã deste sábado, às 7h42, João Jazbik passou por exame de corpo de delito no Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal). O laudo apontou que não foram encontrados sinais ou vestígios de lesões corporais recentes.

A audiência durou pouco  mais de 14 minutos. O juiz Francisco Soliman avaliou que a ordem judicial estava regularmente em vigor e a audiência teve como objetivo verificar a legalidade da prisão e garantir os direitos do custodiado.

A defesa pediu a revogação da prisão e solicitou que, caso mantida a custódia, o médico fosse encaminhado para uma unidade compatível com sua idade e condições de saúde. Durante a audiência, João Jazbik informou que tem problemas cardiovasculares e utiliza medicação. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) não apresentou requerimentos no ato.

Na decisão, o magistrado determinou o encaminhamento do médico ao Centro de Triagem, levando em consideração a faixa etária e as condições clínicas relatadas. Também foi recomendado acompanhamento pelo setor de saúde da unidade prisional, com avaliação médica e continuidade de eventual tratamento. Caso seja mantida, a prisão preventiva é reavalia regularmente, em período de 90 dias.

O relatório psicossocial elaborado antes da audiência registra que João Jazbik é aposentado, recebe cerca de R$ 4,7 mil por mês, possui ensino superior completo e declarou fazer uso de medicamentos por causa de doenças cardiovasculares. O documento também aponta que ele negou uso de álcool e outras drogas.

Investigação - A prisão ocorre no andamento da investigação sobre a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de maio, na chácara onde vivia com o marido, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande. Inicialmente, João Jazbik relatou que a esposa teria cometido suicídio, mas a Polícia Civil passou a investigar a possibilidade de feminicídio após identificar divergências nos depoimentos e inconsistências apontadas durante a apuração.

Após a morte, o médico chegou a ser preso por posse irregular de armas de fogo e suspeita de fraude processual. Segundo a investigação, armas e munições teriam sido retiradas da residência principal e levadas para outro imóvel dentro da propriedade após a morte da fisioterapeuta.

João Jazbik ficou preso inicialmente, mas obteve liberdade por decisão judicial e passou a responder sob medidas cautelares. Em julho, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) confirmou a manutenção da liberdade concedida anteriormente, em decisão relacionada à prisão pelos crimes de armas e fraude processual. A investigação sobre a morte de Fabíola continuou em andamento.

A defesa do cardiologista nega participação na morte da esposa e sustenta que ele colaborou com as investigações.  Em nota, o advogado José Belga Trad afirmou que o inquérito policial ainda não foi concluído e que não há processo judicial contra o médico. Segundo os advogados, também não houve denúncia do Ministério Público até o momento.