Juiz manda proteger testemunhas de esquema entre policiais e ex-deputado
Ministério Público apontou risco de “queima de arquivo” de 2 servidores que denunciaram rede de Lalo Gomes

A investigação que apura supostas relações entre integrantes da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai) e o deputado colorado Eulalio Gomes, o Lalo, morto em agosto de 2024, ganhou um novo capítulo no Paraguai após o temor de “queima de arquivo”.
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O Ministério Público paraguaio pediu à Justiça medidas especiais de proteção para dois servidores que podem contribuir para esclarecer o suposto esquema de vazamento de informações montado por agentes da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) para atender aos interesses do Clã Lalo Gomes.
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O juiz de Garantias Osmar Legal determinou as primeiras providências para preservar a segurança dos envolvidos. Segundo o magistrado, a preocupação com a integridade física das testemunhas é concreta e levou o Ministério Público a pedir a antecipação dos depoimentos.
Nesta quarta-feira (30), o magistrado mandou encaminhar documento à chefia da Polícia Nacional do Paraguai solicitando medidas para garantir a segurança das testemunhas.
Conforme o jornal Última Hora, as testemunhas ameaçadas são um analista da Senad e uma assistente do Ministério Público. Embora os dois já tenham prestado declarações aos investigadores, a intenção agora é que os relatos sejam apresentados perante um juiz, permitindo que sejam utilizados futuramente em eventual julgamento.
Em entrevista à rádio Monumental 1080 AM, o juiz explicou que se trata de uma medida atípica, adotada justamente diante da possibilidade de que os depoentes sofram um atentado ou sejam mortos antes da conclusão do processo. “Estão tentando preservar a prova”, explicou o magistrado, ao justificar a antecipação dos depoimentos com base na periculosidade atribuída ao caso.
Segundo o Ministério Público, as declarações do analista da Senad foram relevantes para concluir que informações sensíveis sobre procedimentos policiais teriam sido vazadas para beneficiar Lalo Gomes.
Laços criminosos
A investigação surgiu a partir da análise das mensagens encontradas no telefone do ex-deputado, morto em 19 de agosto de 2024 durante uma operação da Polícia Nacional em sua casa, em Pedro Juan Caballero. O conteúdo das conversas revelou possíveis conexões do parlamentar e de seu filho, Alexandre Rodrigues Gomes, com integrantes de instituições públicas paraguaias.
No caso da Senad, 4 integrantes da instituição estão presos: Hugo Baptista, então diretor-geral; Cristian Amarilla, diretor de Inteligência; Aldo Pintos, coronel das Forças Especiais; e Alicia Vázquez, chefe do Departamento de Investigação contra o Crime Organizado. Também é investigada e está presa Lizany Solís Gomes, ex-assistente do MP e sobrinha de Lalo Gomes.
Os advogados de defesa questionam os indícios apresentados pelo Ministério Público e pedem a substituição da prisão preventiva por medidas menos restritivas.
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