Alvo de operação, sobrinha de ex-deputado paraguaio se entrega à polícia
Helga Lizany Concepción Solís Gómez foi presa em Pedro Juan e levada para a capital do Paraguai

Helga Lizany Concepción Solís Gómez, de 40 anos, sobrinha do ex-deputado federal do Paraguai Eulálio Gomes, o Lalo, se entregou à Polícia Nacional na noite desta terça-feira (15) em Pedro Juan Caballero e na manhã de hoje foi transferida para a capital Asunción.
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Ex-assistente do Ministério Público do Paraguai, Helga Lizany foi um dos alvos dos mandados de prisão cumpridos ontem pelo departamento contra o crime organizado da Polícia Nacional. Entretanto, ela não foi localizada durante as buscas. Outras 4 ordens de prisão foram cumpridas contra agentes da ativa e ex-integrantes da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas).
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Todos são apontados como membros de um núcleo de apoio da organização criminosa que monitorava e repassava informações sobre ações judiciais e investigações abertas contra integrantes do Clã Gomes.
Pecuarista e político respeitado na linha internacional entre Pedro Juan Caballero e Ponta Porã, Lalo Gomes era investigado por ligação com grandes traficantes da fronteira e foi morto pela polícia paraguaia durante buscas em sua casa, em 19 de agosto de 2019. Ele teria recebido os policiais a tiros. A família contestou essa versão e disse que Lalo foi executado.
Helga Lizany é processada por associação criminosa, tráfico de influência e por usar sua condição funcional para frustrar a aplicação da lei criminal. No período de 2019 a 2023, quando trabalhou no Ministério Público do Paraguai, ela teria repassado dados sigilosos sobre as investigações, permitindo vazamento de informações que levaram à fuga de traficantes, inclusive brasileiros.
Os outros alvos dos mandados de prisão são o diretor-geral antidrogas da Senad Hugo Derlis Baptista Báez, o diretor de Inteligência Cristian Porfirio Amarilla Cabaña, a chefe do Departamento de Investigação do Crime Organizado Alicia Marlene Vázquez Samaniego e o coronel Aldo Osmar Pintos Martínez, ex-comandante das Forças Especiais da agência antidrogas. O oficial é marido de Helga Lizany.
Após a operação de ontem, o ministro-chefe da Senad, Jalil Rachid, chamou de “golpe” contra sua gestão as acusações de que integrantes da cúpula do órgão vazaram informações e ajudaram a proteger a organização de Lalo Gomes.
Em entrevista à rádio 1080 AM, Rachid atacou a atuação do Ministério Público paraguaio e afirmou que as denúncias partiram de ex-integrantes da Senad retirados por ele da instituição. Ele também acusou uma promotora-adjunta de exercer influência sobre os responsáveis pela investigação, mas não apresentou provas para sustentar a afirmação.
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