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Interior

Juíza nega liberdade a policial flagrado com pistola desviada de delegacia

Alvo do Gaeco, Márcio André Molina Azevedo foi flagrado com armas e munições no dia da Operação Codicia

Por Helio de Freitas, de Dourados | 11/05/2022 14:37
Márcio André Molina, alvo de operação do Gaeco, foi flagrado com armas e munições ilegais. (Foto: Reprodução)
Márcio André Molina, alvo de operação do Gaeco, foi flagrado com armas e munições ilegais. (Foto: Reprodução)

A Justiça negou liberdade ao policial civil Márcio André Molina Azevedo, 44, por crime contra o Estatuto do Desarmamento. Preso no âmbito da Operação Codicia (ganância, em espanhol), deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) no dia 25 de abril, ele foi flagrado com armas e munições ilegais guardadas em sua casa em Ponta Porã, a 313 km de Campo Grande.

Durante as buscas autorizadas pela Justiça contra Molina e outros policiais civis da cidade investigados por suspeita de corrupção e tráfico de drogas, agentes do Gaeco encontraram na casa do investigador uma pistola calibre 40, desviada da 2ª Delegacia de Polícia Civil.

A arma tinha sido apreendida em 2014 e faz parte de inquérito policial. Além da pistola, os policiais apreenderam um revólver calibre 38 estragado, munições, carregadores e um cartucho de fuzil.

No pedido de relaxamento de prisão, a defesa do policial reconheceu que a pistola fazia parte de procedimento em andamento na 2ª DP de Ponta Porã, mas alegou que ele pegou a arma a título de empréstimo. Ainda alegou incidência do “princípio de insignificância” em relação à posse da munição de fuzil.

O Ministério Público se manifestou contrário ao relaxamento da prisão preventiva por posse das armas e das munições para “garantia da ordem pública a fim de proteger a comunidade local de mais uma possível reiteração delitiva, ante o risco ponderável da repetição da ação delituosa objeto do processo”.

Márcio André Molina responde a outros três processos judiciais – ação civil por improbidade administrativa, por crime de tortura e a ação por corrupção passiva (Operação Codicia).

A juíza Sabrina Rocha Margarido João, da 2ª Vara Criminal de Ponta Porã, concordou com o Ministério Público e manteve a prisão do policial no caso das armas e munições.

“A custódia do requerente é necessária para acautelar o meio social e a própria credibilidade da Justiça, bem como pela repercussão social que o caso gerou, uma vez que o requerente foi preso na Operação ‘Codicia’, o qual teve o objetivo de investigar um grupo criminoso voltado para a prática dos crimes de concussão, peculato, tráfico de drogas e/ou demais delitos correlatos no âmbito das delegacias de Polícia Civil de Ponta Porã, ocasião em que foi preso em flagrante pelos fatos aqui narrados”, despachou a magistrada.

Codicia - Márcio André Molina e outros cinco policiais também seguem recolhidos por força dos mandados de prisão preventiva decretados no âmbito da Operação Codicia. Nesse caso, a defesa dele ainda não pediu sua liberdade.

Além de Molina, estão presos o investigador Mauro Ranzi (que já teve liberdade negada), o escrivão aposentado Valdenei Peromalle, o “Nei”, a escrivã Adriana Jarcem da Silva, o escrivão Jonatas Pontes Gusmão, o “Jhow”, e o perito Rogério Insfran Ocampos.

Também seguem presos os três supostos traficantes supostamente ligados a Jonatas Gusmão – os irmãos Ricardo Alexandre Olmedo e João Batista Olmedo Júnior, de Ponta Porã, e Marcos Alberto Alcântara, residente em Campo Grande.

A operação investiga cobrança de propinas para liberação de veículos apreendidos e ligação de policiais da ativa e aposentados com o tráfico de drogas. O grupo seria dividido em dois núcleos e, segundo o Gaeco, transformou as duas delegacias da cidade em “balcão de negócios”.

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