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Campo Grande, Quarta-feira, 22 de Agosto de 2018

03/12/2016 19:34

Médico nega que tenha abandonado pacientes e diz que foi autorizado a sair

Nyelder Rodrigues

O médico Carlos José da Costa Duran, de 41 anos, nega que tenha abandonado o plantão no hospital e maternidade Idimaque Paes Ferreira, o único em Rio Negro - cidade localizada a 144 km de Campo Grande. Ele entrou em contato com a reportagem do Campo Grande News no início da noite deste sábado (3).

Em boletim de ocorrência registrado pelo vereador e presidente administrativo do hospital, Edson Moreno Reduk, de 40 anos, ele foi acusado de abandonar o plantão e deixar a cidade sem atendimento, mesmo estando escalado, sem dar mais explicações. Duran é o único médico de Rio Negro.

"Eu não abandonei o plantão. Avisei na quarta-feira que iria sair da cidade para procurar emprego hoje, pois já fui avisado que serei dispensado com a troca de prefeito e um outro médico, o Dr. Mário, será contratado pelo prefeito eleito, o Buda do Lair, a partir de janeiro", explica o médico.

Duran ainda diz que foi autorizado pela administração local e que vai retornar ao plantão já na noite deste domingo (4). "O Eronias Neto já estava sabendo. Amanhã à noite estarei de novo em Rio Negro para o plantão", diz.

Único médico de Rio Negro, Carlos Duran era plantonista aos fins de semana, enquanto o médico regular da cidade era o filho do atual prefeito, Gilson Romano (PMDB) - que será substituído por Cleidimar da Silva Camargo (DEM), o Buda do Lair, atual presidente da Câmara.

"Estou fazendo plantão atrás de plantão a ponto de estar com problemas de diabetes e atender os pacientes usando soro, com a maior boa vontade possível. Mas tive que sair para procurar trabalho, janeiro está aí já e ainda não consegui nada. O emprego não vem até mim. Não sou isso que estão pintando", diz o médico.

Rio Negro enfrentou no mandato de Gilson Romano vários problemas, desde uma "fuga" do prefeito com a mulher de um vereador até uma briga durante a sessão da Câmara, envolvendo o filho de Romano. Além disso, o prefeito foi alvo de CPI na Câmara Municipal e enfrenta a recusa de médicos irem para a cidade.

"Ninguém quer fazer plantão [em Rio Negro] pela falta de estrutura, pagamento", desabafa Carlos Duran, ao explicar porque é o único médico da cidade (que tem 5.036 habitantes conforme o Censo de 2010, com estimativa de redução para 4.871 em 2016) mesmo após ter avisado que precisava sair para procurar outro emprego.

Por causa da falta de médico, os pacientes da cidade estão sendo orientados a buscar socorro no município vizinho, Corguinho, que fica a 54 km dali, explicou uma atendendo do hospital local à reportagem.



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