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Interior

Um dos líderes de esquema de eletrônicos vive em condomínio de luxo de Dourados

Homem cujo nome não foi divulgado tem registro de CAC e teve armas apreendidas em ação da PF e da Receita

Por Helio de Freitas, de Dourados | 28/01/2026 10:54
Um dos líderes de esquema de eletrônicos vive em condomínio de luxo de Dourados
Agentes da PF e da Receita em frente ao prédio onde funciona transportadora do esquema (Foto: Divulgação)

Um dos líderes da organização criminosa responsável pela remessa de cargas milionárias de eletrônicos da fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai para grandes centros brasileiros mora em um condomínio de luxo na área central de Dourados, a 251 km de Campo Grande.

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A Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram a Operação Spectrum, que investiga esquema de contrabando de eletrônicos do Paraguai. Um dos líderes da organização criminosa reside em um condomínio de luxo em Dourados, Mato Grosso do Sul, onde foram apreendidas seis armas de fogo. A investigação teve início em abril de 2025, após a apreensão de sete mil aparelhos eletrônicos, avaliados em R$ 7 milhões, em um caminhão frigorífico. O principal líder do grupo, conhecido como "Spectrum", mora em Foz do Iguaçu. A quadrilha cooptava motoristas para transportar produtos contrabandeados em meio a cargas lícitas.

O apartamento dele, no Edifício Meridian, no cruzamento das Ruas Mato Grosso e Oliveira Marques, foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quarta-feira (28) pela Polícia Federal e pela Receita Federal no âmbito da Operação Spectrum.

Iniciada em abril de 2025 após a apreensão de sete mil aparelhos eletrônicos em um caminhão frigorífico que levaria carne suína para Goiás, a operação mira esquema de descaminho e contrabando de produtos trazidos do país vizinho e despachados em meio a cargas lícitas.

Na casa desse investigado, os agentes federais apreenderam três pistolas, um revólver e duas armas longas. O homem, que não teve o nome divulgado, tem registro de CAC (Caçador, Atirador e Colecionador), por isso não foi preso em flagrante pela posse do armamento.

Em Dourados, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão. Além do edifício de alto padrão, os policiais e agentes da Receita estiveram no Condomínio Moradas Dourados, na região oeste da cidade, no escritório de uma transportadora do esquema, na Rua Fernando Ferrari, na Vila Industrial, e nas residências de outros investigados.

O principal líder do esquema, conhecido como “Spectrum” (que deu nome à operação), mora em Foz do Iguaçu (PR) e também foi alvo de buscas nesta manhã. Já em Trindade (GO), a operação mira um operador logístico da organização.

Um dos líderes de esquema de eletrônicos vive em condomínio de luxo de Dourados
Armas apreendidas com um dos líderes do esquema, que é CAC (Foto: Divulgação)

Caminhão de carne – A apreensão de eletrônicos que deu origem à investigação, conduzida pela Delefaz (Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários) da Polícia Federal, ocorreu na noite de 28 de abril de 2025 quando o caminhão frigorífico era carregado com carne suína na indústria localizada na BR-163, saída para Campo Grande.

Equipe da Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira), da Polícia Civil, encontrou cerca de sete mil aparelhos eletrônicos (principalmente celulares) no caminhão. Seguindo estimativa da Receita Federal, os produtos introduzidos ilegalmente no país foram avaliados em pelo menos R$ 7 milhões.

De acordo com policiais que investigam o esquema, motoristas de caminhões que levavam as cargas lícitas eram cooptados pela quadrilha para transportar os eletrônicos contrabandeados. O condutor do caminhão de carne onde estavam os celulares apreendidos no ano passado fugiu do pátio da indústria quando percebeu a chegada dos policiais da Defron. Ele morreu tempo depois. A causa da morte teria sido infarto.

Conforme a PF e a Receita Federal, o grupo criminoso é especializado na importação fraudulenta de expressivo volume de mercadorias de origem estrangeira, desacompanhadas de documentação fiscal e sem a devida regularização nos órgãos de controle aduaneiro. As investigações prosseguem, para esclarecer integralmente o esquema, identificar todos os envolvidos e apurar eventuais outros crimes.

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