Passeata acaba, mas lojas ficarão fechadas durante todo o dia

Cerca de seis mil pessoas foram para as ruas nesta terça-feira (17), na cidade de Pedro Juan Caballero, que faz fronteira com o município de Ponta Porã - distante a 323 quilômetros de Campo Grande, protestar contra a decisão do governo brasileiro em baixar de 300 para 150 dólares a cota de produtos importados, permitida para cada cidadão brasileiro fazer compras no exterior sem ter que pagar impostos. Todas as lojas do comércio, incluindo o Shopping China, uma das maiores lojas de produtos importados de Pedro Juan, devem permanecer fechadas durante todo o dia de hoje .
A manifestação implica diretamente no comércio de Ponta Porã, que teve uma queda de cerca de 30% nas vendas, além de apresentar diminuição significativa no número de turistas que se hospedam em hotéis especificamente para fazer compras. "O mercado paraguaio é muito importante para Ponta Porã, hoje observamos que a maioria dos hotéis estão vazios devido ao impacto que essa manifestação, acompanhada com a alta do dólar, geraram para o comércio da região de fronteira", comentou Eduardo Gauna, presidente da ACEPP (Associação Comercial de Ponta Porã).
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Segundo Jefferson Fernandes, 43 anos, gerente de um hotel em Ponta Porã, que geralmente hospeda turistas dispostos a fazer compras, revelou que tem sentido a diminuição no número de clientes. "Hoje percebemos que não temos turistas que vêm fazer compras, só clientes corporativos, que é o que está movimentando nosso hotel. Por outro lado, esses clientes não estão dispostos a gastar, eles se hospedam somente a trabalho", comentou.
Jefferson disse ainda, que mesmo com a crise atribuída a alta do dólar, o hotel tem conseguido se manter. "Não demiti nenhum funcionário devido a crise, pelo contrário, contratei mais gente, mesmo com a crise eu acredito que temos que investir, e como estou conseguindo me manter, estou investindo para melhorar o atendimento", contou.
Em outro hotel localizado na região central de Ponta Porã, a gerente contou que o movimento já caiu devido a paralisação e a alta do dólar. "Nosso hotel é voltado para pessoas que vêm especificamente para fazer compras no Paraguai, já estamos sentindo essa queda, pois o movimento caiu cerca de 60%, a procura tem sido bem pequena", comentou.
A alta do dólar que fechou ontem, cotado a R$ 3,245 na venda, também é um dos motivos que tem afastado quem vai fazer compras na região. "Devido ao dólar alto, não está compensando fazer compras por aqui, e isso também nos afetado. O que tem nos ajudado a não sofrer tanto com a falta de clientes é que temos uma feira agropecuária acontecendo no momento, então temos os hóspedes que vieram para a feira", afirmou a gerente.
Outro setor que também sofre diretamente com a falta de turistas são os restaurantes. Fabrizia Ribeiro Pinto, 35 nos, sócia de dois restaurantes que funcionam há 20 anos, um localizado em Ponta Porã e outro em Pedro Juan, classificou o mês de março como o mês das quedas.
"Hoje o comércio de Pedro Juan está fechado, e isso nos afeta. Nós apoiamos as manifestações, pois ela é benéfica para os dois lados, mas tem a alta do dólar também que contribui para a diminuição das vendas". Segundo Fabrizia, só neste mês ela contabilizou uma queda de 40% nas vendas no estabelecimento de Ponta Porã.
Outras duas cidades paraguaias, Ciudad Del Leste e Guaíra, e três cidades bolivianas, Puerto Quijarro, Puerto Suarez e Arroyo Concepcion, que estão na fronteira com Mato Grosso do Sul também aderiram ao protesto.

