Polícia confisca imóveis de brasileiro, sócio do filho de Lalo Gomes
Thiago Alessandro de Oliveira Dávalos Brites é investigado por tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro
A investigação sobre o esquema de tráfico internacional de drogas atribuído a Alexandre Rodrigues Gomes, filho do ex-deputado paraguaio Eulalio “Lalo” Gomes, teve novo desdobramento nesta quarta-feira (14), em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã, a 313 quilômetros de Campo Grande.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Autoridades paraguaias apreenderam imóveis ligados ao brasileiro Thiago Alessandro de Oliveira Dávalos Brites, de 44 anos, conhecido como “Flamengo” ou “Polaco”, apontado como sócio de Alexandre no tráfico de cocaína e na lavagem de dinheiro.
- Leia Também
- Juiz manda proteger testemunhas de esquema entre policiais e ex-deputado
- Justiça nega liberdade a chefe de agência antidrogas ligado ao narcotráfico
A operação faz parte da Pavo Real II, investigação que apura a atuação de uma organização criminosa responsável pelo transporte de cocaína da Bolívia para o Paraguai e, posteriormente, para o Brasil e outros países.
Uma das propriedades atingidas pela medida judicial é uma residência de luxo localizada no bairro Virgen de Caacupé, em Pedro Juan Caballero. A ação foi conduzida pelo promotor Andrés Arriola, com o objetivo de localizar e assegurar bens relacionados aos investigados. O imóvel passou à responsabilidade da Senabico (Secretaria Nacional de Administração de Bens Apreendidos e Confiscados).
Durante a operação, os agentes encontraram a residência ocupada por um inquilino, que foi informado da decisão judicial e da necessidade de desocupação.
“Flamengo” está preso desde março deste ano, quando foi localizado em uma residência no bairro Cuarto, em Luque, na região metropolitana de Asunción. Ele responde a acusações relacionadas ao tráfico internacional de drogas, posse e comercialização de entorpecentes e associação criminosa. Atualmente, está na penitenciária de segurança máxima Martín Mendoza, em Emboscada.

Parceria no tráfico
Segundo o Ministério Público do Paraguai, “Flamengo” atuava como intermediário entre fornecedores de cocaína na Bolívia e a organização comandada por Alexandre Rodrigues Gomes na região do departamento de Amambay.
A investigação identificou conversas realizadas por meio do aplicativo de mensagens criptografadas SKY ECC. Os investigadores associaram a “Flamengo” o identificador 7JBIOJ, enquanto Alexandre utilizaria os codinomes Burberry e Legendário.
De acordo com a acusação, entre novembro de 2020 e março de 2021, os dois teriam coordenado pelo menos três voos com carregamentos de cocaína da Bolívia para o Paraguai. Nesse período, a organização teria recebido 1.342 pacotes da droga.
A divisão de tarefas também foi descrita pelos investigadores. “Flamengo” seria responsável pela articulação com fornecedores bolivianos e pelo financiamento de operações. Alexandre, por sua vez, coordenaria a recepção e a distribuição dos carregamentos a partir do território paraguaio.
Os investigadores também suspeitam que parte dos lucros obtidos com o tráfico tenha sido aplicada em empreendimentos imobiliários na fronteira. Entre os negócios citados estão o edifício Ervais, em Ponta Porã, e o Tetryz Palace, em Pedro Juan Caballero, este último associado a investimentos realizados por “Flamengo” em parceria com Alexandre.
Quem é Alexandre Rodrigues Gomes
Alexandre Rodrigues Gomes, de 38 anos, possui dupla nacionalidade, brasileira e paraguaia, e é filho de Eulalio “Lalo” Gomes, ex-deputado do Partido Colorado morto durante uma operação da Polícia Nacional do Paraguai, em agosto de 2024.
Herdeiro dos negócios da família, Alexandre atuava no setor empresarial da fronteira, incluindo a Paraguay Autoparts y Accesorios S.A., empresa da qual era sócio do pai. A família também mantinha atividades ligadas à pecuária, setor em que Lalo Gomes era considerado uma liderança nacional influente.
A situação de Alexandre mudou em 19 de agosto de 2024, quando ele foi preso durante a mesma operação policial que terminou com a morte do pai, em Pedro Juan Caballero.
Desde então, passou a responder a processos relacionados ao tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Para os investigadores paraguaios, Alexandre não seria apenas um intermediário do tráfico, mas um dos responsáveis pela organização criminosa que atuava na região de Amambay, com participação na negociação, compra e transporte de entorpecentes.
As suspeitas também alcançaram o Brasil. Em fevereiro deste ano, veio a público uma acusação do MPF (Ministério Público Federal) que atribui a Alexandre a coordenação de uma estrutura de transporte aéreo de cocaína.
Segundo a investigação brasileira, ele teria recrutado pilotos, administrado aeronaves e supervisionado duas pistas clandestinas, uma no Paraguai e outra no Brasil. A droga seria transportada da Bolívia e da Colômbia para o Paraguai, seguindo depois para território brasileiro e mercados europeus.
O Brasil chegou a solicitar sua extradição, mas a Justiça paraguaia decidiu manter Alexandre preso no país, onde também responde a processos criminais.
Além das acusações de tráfico, Alexandre é investigado em outro processo por supostas manobras para impedir a apreensão de seu patrimônio. Conforme o Ministério Público paraguaio, dados de registros públicos teriam sido alterados para permitir a transferência de quatro imóveis ao advogado Óscar Tuma, apesar da existência de restrições judiciais.
As propriedades foram avaliadas em um total de 1,7 bilhão de guaranis. A suspeita é de que as transferências, apresentadas como pagamento de honorários advocatícios, tenham sido utilizadas para evitar o confisco dos bens.
Nesta quarta-feira, a Justiça paraguaia também adiou para 14 de dezembro a audiência preliminar desse processo, que envolve Alexandre, seu advogado e outras pessoas acusadas. O adiamento foi atribuído ao excesso de trabalho do juízo.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.


