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Interior

Presídio de Dourados é recordista em presos infectados pela covid no País

Atrás das grades, população carcerária de 30 das 42 unidades prisionais do Estado tive casos positivos

Por Gabriela Couto | 16/05/2021 17:05
Maior penitenciária de MS, a PED tem o maior número de presos contaminados por covid-19 do país (Foto Divulgação)
Maior penitenciária de MS, a PED tem o maior número de presos contaminados por covid-19 do país (Foto Divulgação)

Levantamento feito nas penitenciárias do País revelou que Mato Grosso do Sul tem a unidade com o maior número de presos contaminados com coronavírus do Brasil. Conforme o levantamento da Agência Pública, a PED (Penitenciária Estadual de Dourados) lidera o ranking nacional de casos positivos de covid-19 entre as penitenciárias analisadas.

O maior presídio do Estado confirmou 1.236 casos de covid-19 até o início de fevereiro. Ao todo são 2.380 presos. A penitenciária registrou ainda uma morte entre os detentos e teve 33 servidores contaminados.

É na PED que também está o  maior contingente de indígenas encarcerados do país, com 164 presos. Destes, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) confirma que 86 indígenas tiveram a doença na unidade.

"Ele teve febre, nariz escorrendo, o corpo todo doendo, disse que juntou tudo, o coronavírus e as outras dores dele. Falou que estava mal, que achava que ia morrer ali mesmo. Testou positivo e ficou em isolamento, acho que por duas semanas", conta Judite*, cunhada de um indígena preso na PED.

Contaminado em outubro do ano passado, o indígena está na faixa dos 50 anos e sofre de doenças como hipertensão e diabetes. A família só conseguiu a confirmação da doença porque a advogada do indígena oficiou a unidade em busca de notícias.

Mesmo com o pedido de um habeas corpus apresentado pela defesa, por conta das comorbidades, a Justiça negou e o indígena enfrentou a covid-19 atrás das grades. Em março deste ano, o detento voltou a sentir sintomas da doença e foi novamente isolado, segundo a cunhada.

Um policial penal da PED, que não quis se identificar, acredita que a contaminação chegou a 90% dos internos durante o surto, que ocorreu entre agosto e outubro de 2020. "A própria direção não soube gerenciar as coisas", revela.

O agente, que atua na unidade há mais de cinco anos, diz que faltam uniformes e equipamentos para os policiais penais, que receberam somente máscaras de feltro para proteção. Em relação aos presos, ele conta que a utilização de máscaras é obrigatória somente nos corredores e que elas não são usadas nas celas e galerias.

Panorama estadual - Conforme a pesquisa da Agência Pública, 30 das 42 unidades prisionais de Mato Grosso do Sul tiveram casos de Covid-19, o que representa 71% do total. Além disso, cinco prisões registraram óbitos.

Até o começo de fevereiro, eram 4.102 presos contaminados e seis mortes. No último boletim de 9 de maio com dados totais, o número chegava a 4.512 contaminações e nove mortes entre os detentos.

Procurada pela reportagem, a Agepen afirmou que o estado promoveu "testagem em massa" e tem "um dos menores índices de óbitos entre os custodiados" do Brasil.

O Estado registra uma das maiores superlotações do país, com pelo menos dois presos por vaga. Em Ivinhema e em Dourados, o cenário é ainda pior, com cerca de três detentos para cada vaga.

No Estabelecimento Penal Masculino de Regime Fechado de Ivinhema, a 280 km de Campo Grande (MS), 63 presos tiveram a doença até o início de fevereiro, sendo que 70 pessoas estavam presas no local no final de dezembro do ano passado. Além disso, 11 servidores também foram positivados com covid-19.

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