Governo envia 2 especialistas para controlar chikungunya em aldeias
Anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli, em Dourados

O Ministério da Saúde escalou dois especialistas para coordenar as ações contra a epidemia de febre chikungunya na Reserva Indígena de Dourados, a mais populosa do Brasil, com pelo menos 20 mil moradores. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (18) pelo diretor da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde), Rodrigo Stabeli.
RESUMO
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O Ministério da Saúde enviou dois especialistas para coordenar ações contra a epidemia de febre chikungunya na Reserva Indígena de Dourados, a mais populosa do Brasil. Até o momento, foram notificados 692 casos suspeitos nas aldeias, com 217 confirmações e quatro óbitos nos últimos 22 dias. Uma equipe da Força Nacional do SUS, composta por sete profissionais, chegou à região para auxiliar no controle da doença. Um hospital de campanha foi montado na Escola Municipal Tengatuí Marangatu, na Aldeia Jaguapiru, onde já foram atendidas 80 pessoas no primeiro dia de funcionamento.
Até esta quarta-feira (18), foram notificados 692 casos suspeitos nas aldeias, dos quais 217 foram confirmados. Há 90 pessoas em atendimento e 3 infectadas que estão internadas. Quatro moradores da reserva morreram nos últimos 22 dias.
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Em entrevista coletiva no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados), Rodrigo Stabeli informou que sete profissionais da Força Nacional do SUS chegaram hoje a Dourados. Entre eles está a cientista Lúcia Silveira, consultora do Ministério da Saúde que atua no Gate (Grupo Técnico de Arboviroses) para o controle da dengue e chikungunya.
Segundo Stabeli, nesta quinta-feira chega à cidade, para integrar a equipe, o médico infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, especialista em vigilância e saúde do Ministério da Saúde. Pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Venâncio foi professor titular da UFMD (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e da UFGD e já morou em Dourados.
“Além do trabalho de campo, vamos trabalhar na conscientização dos colegas da saúde no manejo clínico e na reorganização do serviço de saúde ambulatorial, porque muita gente está trabalhando com uma arbovirose que não conhece. Também já identificamos necessidade de mais gente e vamos trazer mais quatro equipes da Força Nacional para fazer a busca ativa, o manejo correto desse caso e o encaminhamento”, explicou Rodrigo Stabeli.
O coordenador disse que as ações emergenciais para conter a epidemia na reserva envolvem três frentes do Ministério da Saúde – a Força Nacional do SUS, a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) e Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente.
“A prioridade, junto com o governo do Estado e o município de Dourados, é fazer uma frente articulada para controle vetorial e reorganização do processo assistencial. Estamos fazendo busca e resgate daquela população que está eventualmente infectada e não conseguiu chegar ao posto de saúde”, afirmou Stabeli.
Segundo ele, a equipe da Força Nacional que chegou a Dourados, formada por médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem e responsável de logística, tem vivência no enfrentamento de arboviroses. Os profissionais vão se juntar às equipes que já atuam na reserva. “Surto de chikungunya na região é novidade. A equipe veio também para fazer o treinamento desse pessoal que já atua”, explicou o coordenador.
Rodrigo Stabeli evitou chamar a situação de epidemia e disse, que, pelo menos por enquanto, o caso é tratado como um surto de casos da doença. “Pode ser que ainda hoje o número de casos aumente ao ponto de virar uma epidemia”. Ele foi acompanhado pelo secretário de Saúde de Dourados, Márcio Figueiredo, e pela diretora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, Danielle Galindo Martins Tebet.

Hospital de campanha – A Escola Municipal Tengatuí Marangatu, na Aldeia Jaguapiru, passou a funcionar como hospital de campanha durante a epidemia de chikungunya. No primeiro dia de funcionamento da estrutura, montada na quadra, pelo menos 80 pessoas foram atendidas. As equipes de saúde também intensificaram a busca ativa nas residências, onde há relatos de famílias inteiras com dores nas articulações e náuseas.
O hospital de campanha foi implantado por equipes da Sesai, em parceria com o HU-UFGD. Profissionais de Campo Grande e de Caarapó foram mobilizados para ajudar no atendimento.
A estrutura conta com médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, farmacêutico, fisioterapeuta e psicólogo. A enfermeira Mariuza Lara, da Sesai, disse que os atendimentos ocorrem das 7h às 19h, mas podem se estender enquanto houver pacientes. Casos mais graves estão sendo encaminhados para o Hospital da Missão Evangélica Caiuá, enquanto gestantes e crianças seguem para o HU-UFGD.
Equipes coordenadas pela Prefeitura de Dourados fizeram 4.319 visitas a moradias nas aldeias e identificaram 1.004 focos do mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da chikungunya, dengue e zika. Pelo menos 90% dos focos estavam em caixas d’água, recipientes jogados no lixo e pneus velhos.
A alta incidência de chikungunya na reserva afetou a rotina escolar. Hoje não houve aulas nas escolas municipais e estaduais da Jaguapiru. Na própria escola Tengatuí, pelo menos 30 servidores, entre professores e administrativos, apresentam sintomas da doença. Segundo a diretora-adjunta Egizele Mariano da Silva, há elevado índice de ausência de alunos por causa da doença.
O secretário municipal de Educação, Nilson Francisco da Silva, informou que a suspensão das atividades nas escolas foi uma decisão de lideranças da aldeia, sem aval ou autorização da pasta. Segundo ele, o calendário escolar segue normalmente.
Boletim epidemiológico mais recente mostra que a Reserva Indígena de Dourados registra 692 casos notificados de chikungunya, sendo 217 confirmados, 401 em investigação e 44 descartados.
Quatro moradores das aldeias morreram em decorrência de complicações da doença, sendo uma mulher de 69 anos, um homem de 73 anos, um bebê de 3 meses e outra mulher de 60 anos. A área urbana de Dourados tem 912 notificações, com 379 casos confirmados e nenhum óbito.
O secretário de Saúde de Dourados, Márcio Figueiredo, disse que o poder público tem intensificado as ações, mas reforçou a necessidade de colaboração da população das aldeias.
“Não estamos medindo esforços, mas é fundamental eliminar água parada para reduzir os focos do mosquito”, afirmou. Também pediu a presença de equipes do governo federal para somar esforços contra a epidemia.
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