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Campo Grande, Segunda-feira, 27 de Maio de 2019

27/02/2019 14:44

Rapaz é solto após 11 dias preso por assassinato que nem aconteceu

Ele só foi solto quando a "vítima" apareceu na delegacia para desmentir boatos

Kerolyn Araújo e Guilherme Henri
Fábio ficou 11 dias preso e só foi solto após homem aparecer vivo em delegacia. (Foto: Arquivo Pessoal)Fábio ficou 11 dias preso e só foi solto após homem aparecer vivo em delegacia. (Foto: Arquivo Pessoal)

Na noite de sábado do dia 16 de fevereiro, Fábio Araújo dos Santos, 21 anos, descansava no quarto quando foi atender alguém que batia na porta de casa, em Ribas do Rio Pardo, a 103 km da Capital. Ele afirma que foi imobilizado, colocado na viatura da Polícia Civil e torturado. Permaneceu preso por 11 dias, suspeito de homícídio e alega ter confessado o crime, após sessões de asfixia no saco plástico, mas foi liberado depois que a "vítima" apareceu, bem viva.

Fábio garante que somente foi preso por causa de boato, de que ele teria assassinado um homem a mando da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). 

Ao Campo Grande News, Fábio disse que, na delegacia, foi inúmeras vezes questionado de "onde estava o corpo", pergunta a qual ele não tinha resposta. "Não sabia do que estavam falando. Então me disseram que me fariam lembrar", relata.  

Foi quando a sessão de tortura por parte dos policiais começou. O rapaz diz que foi colocado em um quartinho onde era afogado com pano e água além de ser asfixiado com saco plástico - que não deixam marcas - até que confessasse o crime que ele jura não ter cometido. 

"Eu não aguentava mais aquilo. Achei que ia morrer. Foi então que menti e ainda inventei como tinha matado quem eles tanto falavam", descreve. 

Depois da tortura, o jovem afirma ainda que gravou um vídeo onde mentia os detalhes da morte. "Tive até que indicar local onde o corpo estava e os policiais me diziam que se eu estivesse mentindo iriam simular minha morte em uma troca de tiros", detalha. 

Preso em uma cela com outros oito suspeitos, o rapaz só foi solto 11 dias depois, quando a "vítima" apareceu para desmentir os boatos de que foi assassinada.  "O homem apareceu na sexta-feira, mas mesmo assim eu só fui solto segunda-feira de tardezinha", diz. 

Questionado, Fábio afirma que nunca pertenceu a facção criminosa e que não têm passagens pela polícia. "Eu cuido da minha mãe doente, sempre trabalhei de forma digna. Não tenha ideia de onde esse boato surgiu. Esse homem mesmo que 'eu teria matado' é colega da minha comadre, o qual eu mal tenho contato", afirma. 

Polícia - Conforme informações do delegado que conduziu as investigações, Bruno Santacatharina, várias testemunhas compareceram à delegacia relatando que Fábio teria executado o homem. Diante das informações, a polícia solicitou a prisão temporária do suspeito e ela foi decretada pela Justiça. O suspeito foi preso no dia 7 de fevereiro.

''Várias testemunhas e familiares foram à delegacia, colocaram no papel que a vítima teria morrido e Fábio seria o autor. Com base nisso, a Justiça determinou a prisão temporária do suspeito para possibilitar as investigações", explicou o delegado.

Segundo o delegado, ao ser preso, Fábio confessou o crime e contou com riqueza de detalhes como teria cometido o crime. ''Ele detalhou de modo tranquilo e sereno que jogou o corpo em um brejo; totalmente tranquilo para uma pessoa que alega que foi coagido para assumir o crime", disse.

Bruno ressaltou que na cidade todos afirmam que Fábio faz parte do PCC e que, de fato, teria recebido a ordem para executar a vítima. ''Ele não teve coragem de cometer o assassinato, mas aproveitando que o homem havia se mudado de cidade, espalhou que cometeu o crime para ganhar moral com a facção".

No dia 15 de fevereiro, ao retornar para a cidade, a suposta vítima foi à delegacia e desmentiu o crime.''Ele tinha mudado temporariamente de cidade a trabalho'', explicou o delegado. Fábio foi solto no dia 18.

Ao contrário do que foi afirmado pelo suspeito, a polícia informou que não houve arbitrariedade na prisão e que Fábio não foi torturado para assumir o crime, passando por exame de corpo de delito que não apontou lesões.



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