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Interior

“Selvagem e cruel”, diz líder ruralista sobre execução de colono na fronteira

Presidente da Associação Rural do Paraguai disse que ataque se parece com casos ocorridos no Brasil

Por Helio de Freitas, de Dourados | 24/11/2021 14:19
Entrada da propriedade no Paraguai, onde colono e empregados foram mortos (Foto: Última Hora)
Entrada da propriedade no Paraguai, onde colono e empregados foram mortos (Foto: Última Hora)

O presidente da Associação Rural do Paraguai, Pedro Galli Romañach, chamou de “selvagem e cruel” o ato de sequestradores que na segunda-feira (22) mataram o colono menonita Helmut Ediger Friesen, 74, e dois funcionários dele, na área rural de San Estanislao, a 130 km de Paranhos (MS).

Apesar da violência que impera na linha internacional entre o Paraguai e Mato Grosso do Sul, com pessoas decapitadas, queimadas e até esquartejadas, Romañach disse que seu país não está acostumado com esse tipo de crime, mais comum no Brasil, segundo ele.

“Extremamente selvagem e cruel a maneira como atuou essa gente. Se parece muito com as operações do Brasil, não estamos acostumados a esse tipo de situação”, afirmou o ruralista, cobrando a extinção do grupo criminoso.

Em entrevista a emissoras de rádio do Paraguai, Pedro Romañach disse ter conversado com familiares de Helmut Ediger Friesen, que relataram as últimas palavras do colono de origem alemã.

Ao líder ruralista, o familiar que negociava com os sequestradores contou que Helmut pedia desesperadamente para levantarem o dinheiro do resgate. Um dos funcionários dele já tinha sido executado pelos bandidos, como forma de pressionar os familiares a conseguirem o dinheiro.

“Corre, meu filho, já mataram fulano e vão me matar”, teria dito o colono. Em seguida, em outra ligação, Helmut teria dito que o segundo funcionário também tinha sido morto e que o próximo seria ele.

Os familiares do colono pagaram o resgate, mas ele também foi assassinado. Estima-se que o valor pago tenha sido de R$ 1,6 milhão. Além de Helmut, foram mortos o paraguaio Rolando Dias Gonzales e o brasileiro Odair dos Santos.

Identificados – Em entrevista nesta quarta-feira (24), o comandante da Polícia Nacional, Luis Arias, disse que os autores do sequestro e execuções já estão identificados e sendo procurados na região onde os crimes aconteceram.

Ele disse que os bandidos não são ligados a grupos terroristas, como o EPP (Exército do Povo Paraguaio) e a ACA (Agrupação Campesina Armada). “São bandidos comuns, provavelmente os mesmos que assaltaram esse cidadão [Helmut] em julho passado”, afirmou Arias.

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