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Interior

"Sempre foi abusivo, dominador", diz familiar de mulher que foi morta pelo ex

Ana Paula Pagani de Souza, de 28 anos, foi assassinada pelo ex-marido, Maicon Douglas Rodrigues a facadas

Por Adriano Fernandes e Aletheya Alves | 23/11/2020 21:46
Maicon Douglas Rodrigues foi preso horas depois do crime. (Foto: Reprodução/Itaporã News)
Maicon Douglas Rodrigues foi preso horas depois do crime. (Foto: Reprodução/Itaporã News)

O assassinato de Ana Paula Pagani de Souza, de 28 anos, na madrugada desta segunda-feira (23) em Três Lagoas – cidade a 338 quilômetros de Campo Grande - foi o fim trágico de uma relação marcada pelo abuso, por agressões e o medo constante de seu ex-marido e assassino, Maicon Douglas Rodrigues, que foi preso horas depois do crime.  À reportagem, uma familiar da vítima, de 31 anos, que pediu para não ter a identidade divulgada, contou que a Ana era constantemente ameaçada de morte pelo criminoso.

“Ela não quis mais ele porque eles brigaram e ele bateu bastante nela. Ele falava direto que ia matar ela. Ela então terminou o relacionamento e pediu a medida protetiva. O que adiantou?”, questiona a mulher em tom de desabafo.

A ordem judicial de distanciamento havia sido adquirida há cerca de 5 meses pela vítima, no entanto, os filhos que o casal tinham juntos eram sempre o pretexto usado por Douglas em suas tentativas de reaproximação da vítima.

Com ele, Ana teve dois de seus quatro filhos, são duas meninas de 7 e 6 anos. Ela também era mãe de dois meninos de 12 e 11 anos de um outro relacionamento. “Ele continuou indo atrás dela dando desculpa que queria ver as meninas”, conta.

“Sempre foi um relacionamento abusivo, dominador. Ele sempre dominava ela em tudo. Ele não era uma boa pessoa, nunca foi”, completa a familiar.

A testemunha ainda lembra que após Ana se negar a reatar o namoro, Douglas chegou a surtar em frente a casa da avó da vítima. Enquanto o casal ainda estava junto, o uso de drogas e bebida alcoólica intensificavam a fúria do agressor.

“Ele bebia, fazia uso de entorpecente e aí ele a espancava. Ele quebrou os vidros da casa todinho. Está tudo quebrado, janela do quarto, da sala, da cozinha. Ela não aguentava mais aquilo”, comenta.

A parente da vitima também relata que apesar de todo sofrimento, Ana ainda não havia conseguido esquecer o ex-marido, mas o medo ainda falava mais alto.

“Ela gostava muito dele ainda [Douglas]. Ela não tinha esquecido ele ainda, ela não queria ninguém, só queria ele. Ela falou para mim que não ia arrumar ninguém, por enquanto, porque as crianças estavam crescendo, mas ela também não queria voltar com ele, porque ele ia ficar bebendo e continuar batendo nela”, diz. Segundo a testemunha Ana já estava decidida.

Um dos golpes atingiu o pescoço de Ana. (Foto: Reprodução Facebook)
Um dos golpes atingiu o pescoço de Ana. (Foto: Reprodução Facebook)

“Eu sei que é difícil a gente sair de um relacionamento desses, mas vou fazer de tudo. O possível e impossível, eu não quero mais ele”, teria confessado a vítima à familiar.

O crime 

À reportagem a testemunha também deu detalhes sobre os últimos passos da vítima, antes de ser assassinada, nesta segunda-feira (23).  Ana teria passado a noite na casa da avó. Como ela havia ingerido bebida alcoólica, seus familiares não quiseram que ela pilotasse sua bicicleta elétrica até em casa e pediram para um amigo da família, levá-la até o seu apartamento no Residencial Orestinho. As crianças da vítima ficaram dormindo na casa da avó. Com a morte da mãe eles ficaram sob a guarda de uma das irmãs da vítima.

“Foi o tempo dela entrar para dentro de casa, o Douglas também chegou. Ele estava vigiando ela”, suspeita a mulher. A família também acha que Douglas pode ter pensado que a vítima estava namorado o conhecido da família.

Conforme a Polícia Civil ao chegar no apartamento o criminoso tentou reatar o namoro mais uma vez, mas como ouviu “não” como resposta, atingiu Ana com golpes de faca, um deles no pescoço.

Ferida, Ana Paula ainda saiu do apartamento pedindo ajuda, caiu no gramado, e foi atingida por mais golpes pelo criminoso que fugiu logo em seguida. Douglas foi encontrado pelo SIG (Setor de Investigações Gerais) da Polícia Civil, horas depois no Bairro São João. A casa dele que fica no Jardim Carioca também foi incendiada após o crime.

“Mas ele não vai ficar muito tempo, a gente sabe como é o Brasil”, diz a mulher.  Tão grande quanto a revolta da familiar é a dor perda. “Eu não sabia que ele ia matar ela, se eu soubesse, eu tinha ficado lá. Eu dava minha vida pela dela. É muito difícil”, conclui emocionada.

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