ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
FEVEREIRO, SEXTA  23    CAMPO GRANDE 25º

Interior

Vítimas de vereador preso tinham todo dinheiro do Bolsa Família retido

Ricardo Campos Jr. | 24/01/2017 13:24
PF durante cumprimento de mandado em Ladário 9Foto: divulgação / PF)
PF durante cumprimento de mandado em Ladário 9Foto: divulgação / PF)

Eurípedes Zaurizio de Jesus (PTB), vereador de Ladário preso na manhã desta terça-feira (24) por suspeita de agiotagem e compra de votos, fazia empréstimos a beneficiários do Bolsa Família que as vezes chegavam a comprometer todo o valor recebido mensalmente. Além de cobrar juros que chegavam a 30%, ele retinha documentos e os cartões das vítimas para garantir o pagamento da dívida.

Segundo informações do Diário Online, muitas dessas pessoas viviam em situação de vulnerabilidade econômica e social.

Em entrevista coletiva, o delegado Ricardo Rodrigues Gonçalves, coordenador da operação, revelou que o crime não se enquadra em fraude no programa do Governo Federal, já que as próprias pessoas colocavam os benefício à disposição do vereador, mas ainda assim ele era desvirtuado, já que não foi criado com esse objetivo.

Mensagens nos celulares apreendidos pela polícia confirmam a retenção de documentos pessoais como forma de coagir as vítimas a pagarem os empréstimos. Em alguns torpedos, as pessoas pediam a carteira de trabalho para ir até o INSS.

“A retenção implicou numa limitação de direitos fundamentais dos tomadores de empréstimo”, detalhou o delegado.

Eurípedes tinha um comparsa responsável por guardar em casa os cartões e documentos retidos, além de sacar os benefícios mensalmente. Imagens de casas lotéricas de Ladário provam que ele ia até os locais retirar o dinheiro em nome de terceiros.

“O vereador está sendo indiciado por agiotagem e retenção de documentos pessoais em continuidade delitiva. A reiteração dessa prática é que ensejou a prisão preventiva dele. Restou comprovada pelos indícios que a investigação apurou, a prática de corrupção eleitoral ativa, que seria a compra de votos, e a falsidade ideológica eleitoral, que popularmente é conhecida como caixa 2”, explicou o delegado durante a coletiva.

A polícia ainda descobriu que o vereador omitiu e lançou informações falsas na prestação de contas na corrida eleitoral para a Câmara Municipal. Ele, por exemplo, declarou serviço voluntário de cabos eleitorais que em depoimento confirmaram ter recebido dinheiro do então candidato. O delegado acredita que a prática tenha sido usada para compra de votos.

Os investigadores também descobriram que os dois suspeitos estavam manipulando e intimidando testemunhas. Por conta disso, um dos motivos que embasou o pedido de prisão foi o ato de atrapalhar as apurações.

Anatocismus – As investigações começaram depois de uma denúncia anônima. A primeira fase foi desencadeada após a eleição no dia 2 de outubro. Na ocasião, foram encontradas listas com nomes de beneficiários e contas de água e luz em nome de terceiros na casa do parlamentar, que foi o mais votado no pleito com 365 votos.

Eurípedes e o comparsa, na ocasião, se apresentaram espontaneamente para depor. Os investigados foram indiciados pela prática de corrupção eleitoral ativa, falsidade ideológica eleitoral (“caixa dois”), usura pecuniária (“agiotagem”) e retenção de documentos de identificação. As penas somadas variam de 2 a 11 anos de prisão.

O vereador está na custódia da PF aguardando a transferência ao Estabelecimento Penal de Corumbá. Já a Câmara está em recesso e os parlamentares iniciam o ano legislativo no dia 1º de fevereiro.

Nos siga no Google Notícias