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Interior

Vítimas de vereador preso tinham todo dinheiro do Bolsa Família retido

Por Ricardo Campos Jr. | 24/01/2017 13:24
PF durante cumprimento de mandado em Ladário 9Foto: divulgação / PF)
PF durante cumprimento de mandado em Ladário 9Foto: divulgação / PF)

Eurípedes Zaurizio de Jesus (PTB), vereador de Ladário preso na manhã desta terça-feira (24) por suspeita de agiotagem e compra de votos, fazia empréstimos a beneficiários do Bolsa Família que as vezes chegavam a comprometer todo o valor recebido mensalmente. Além de cobrar juros que chegavam a 30%, ele retinha documentos e os cartões das vítimas para garantir o pagamento da dívida.

Segundo informações do Diário Online, muitas dessas pessoas viviam em situação de vulnerabilidade econômica e social.

Em entrevista coletiva, o delegado Ricardo Rodrigues Gonçalves, coordenador da operação, revelou que o crime não se enquadra em fraude no programa do Governo Federal, já que as próprias pessoas colocavam os benefício à disposição do vereador, mas ainda assim ele era desvirtuado, já que não foi criado com esse objetivo.

Mensagens nos celulares apreendidos pela polícia confirmam a retenção de documentos pessoais como forma de coagir as vítimas a pagarem os empréstimos. Em alguns torpedos, as pessoas pediam a carteira de trabalho para ir até o INSS.

“A retenção implicou numa limitação de direitos fundamentais dos tomadores de empréstimo”, detalhou o delegado.

Eurípedes tinha um comparsa responsável por guardar em casa os cartões e documentos retidos, além de sacar os benefícios mensalmente. Imagens de casas lotéricas de Ladário provam que ele ia até os locais retirar o dinheiro em nome de terceiros.

“O vereador está sendo indiciado por agiotagem e retenção de documentos pessoais em continuidade delitiva. A reiteração dessa prática é que ensejou a prisão preventiva dele. Restou comprovada pelos indícios que a investigação apurou, a prática de corrupção eleitoral ativa, que seria a compra de votos, e a falsidade ideológica eleitoral, que popularmente é conhecida como caixa 2”, explicou o delegado durante a coletiva.

A polícia ainda descobriu que o vereador omitiu e lançou informações falsas na prestação de contas na corrida eleitoral para a Câmara Municipal. Ele, por exemplo, declarou serviço voluntário de cabos eleitorais que em depoimento confirmaram ter recebido dinheiro do então candidato. O delegado acredita que a prática tenha sido usada para compra de votos.

Os investigadores também descobriram que os dois suspeitos estavam manipulando e intimidando testemunhas. Por conta disso, um dos motivos que embasou o pedido de prisão foi o ato de atrapalhar as apurações.

Anatocismus – As investigações começaram depois de uma denúncia anônima. A primeira fase foi desencadeada após a eleição no dia 2 de outubro. Na ocasião, foram encontradas listas com nomes de beneficiários e contas de água e luz em nome de terceiros na casa do parlamentar, que foi o mais votado no pleito com 365 votos.

Eurípedes e o comparsa, na ocasião, se apresentaram espontaneamente para depor. Os investigados foram indiciados pela prática de corrupção eleitoral ativa, falsidade ideológica eleitoral (“caixa dois”), usura pecuniária (“agiotagem”) e retenção de documentos de identificação. As penas somadas variam de 2 a 11 anos de prisão.

O vereador está na custódia da PF aguardando a transferência ao Estabelecimento Penal de Corumbá. Já a Câmara está em recesso e os parlamentares iniciam o ano legislativo no dia 1º de fevereiro.

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