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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

18/07/2012 11:21

Investigado por favorecer frigorífico, desembargador de MS reclama de complô

Aline dos Santos

Investigado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) por favorecer um frigorífico, o desembargador Nery da Costa Júnior, do TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) reclama que não teve direito garantido à ampla defesa.

Em entrevista ao site Conjur (Consultor Jurídico), o desembargador, que atuava em Mato Grosso do Sul antes de compor a segunda instância da Justiça Federal, afirma que nenhuma das testemunhas que ele indicou na sindicância aberta pela corregedora Eliana Calmon foi ouvida.

Segundo o desembargador, a representação do MPF (Ministério Público Federal), assinada por Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, à época procuradora-chefe do MPF em São Paulo, foi feita depois de uma união entre ela e a juíza de Ponta Porã Lisa, Taubemblatt, que atuaram em “unidade de desígnios” para envolvê-lo. Luiza Frischeisen já foi companheira do irmão de Lisa, entre 1994 e 1997. Ela diz ser amiga do ex-companheiro, mas não próxima da ex-cunhada.

A sindicância foi aberta em maio de 2011, depois de o Ministério Público Federal pedir investigação. Conforme reportagem da Folha de São Paulo, documentos da sindicância sigilosa revelam relações entre Nery Júnior e Sandro Pissini, dono do escritório de advocacia contratado em 2008 pelo Grupo Torlim para defesa em processo em Ponta Porã. O frigorífico foi acusado de sonegação e crimes tributários estimados em R$ 184 milhões.

Conforme a Folha, Pissini foi assessor do desembargador no TRF entre 1999 e 2001. Nery já vendeu uma fazenda ao advogado. E, desde 2011, um ex-funcionário do escritório de Pissini é chefe de gabinete do desembargador.

Ainda segundo o jornal, em 2004, após operação da Polícia Federal, bens do Torlim, como fazendas e veículos, foram bloqueados. A empresa foi à Justiça para liberá-los.

A ação para auxiliar o frigorífico teria começado em 14 de janeiro de 2011, quando Nery Júnior enviou ofício à presidência do TRF sugerindo uma força-tarefa, a ser coordenada por ele, para acelerar os processos na cidade. Os trabalhos duraram duas semanas. O juiz Gilberto Rodrigues Jordan desbloqueou os bens.



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