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Lado Rural

Importação de fertilizantes despenca em MS e dólar eleva custo da safra 2026

Queda nas compras externas e valorização da moeda americana aumentam o risco para produtores de soja e milho

Por Jhefferson Gamarra | 05/03/2026 17:26
Importação de fertilizantes despenca em MS e dólar eleva custo da safra 2026
Área de produção de soja em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/Aprosoja)

A importação de fertilizantes em Mato Grosso do Sul registrou forte retração no início de 2026, indicando um cenário de maior cautela por parte dos produtores e de pressão nos custos de produção. Dados da Secretaria de Comércio Exterior, compilados pela Aprosoja/MS, mostram que o Estado importou 3,50 mil toneladas do insumo em janeiro, volume 69,63% menor em relação ao mesmo período de 2025.

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A importação de fertilizantes em Mato Grosso do Sul registrou queda de 69,63% em janeiro de 2026, totalizando 3,50 mil toneladas. A redução foi mais acentuada nos fertilizantes nitrogenados, com declínio de 69,05%, enquanto não houve registro de importação de potássicos e fosfatados no período.O cenário é agravado pela valorização do dólar, que encarece os insumos negociados internacionalmente. A situação afeta diretamente a relação de troca entre soja e fertilizantes, exigindo que produtores entreguem mais grãos para adquirir a mesma quantidade de insumos, pressionando os custos de produção.

A redução foi puxada principalmente pelos fertilizantes nitrogenados, que tiveram queda de 69,05% nas importações. No primeiro mês do ano, não houve registro de importação de fertilizantes potássicos e fosfatados em Mato Grosso do Sul.

O movimento ocorre em um contexto nacional de leve retração nas compras externas. O Brasil importou 2,88 milhões de toneladas de fertilizantes em janeiro de 2026, redução de 4,37% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Entre os principais tipos de nutrientes utilizados na produção agrícola, os nitrogenados registraram queda de 11,77% nas importações. Em contrapartida, houve aumento na entrada de potássio, com crescimento de 11,41%, e de fosfato, que avançou 28,25%.

O abastecimento do país depende majoritariamente do mercado externo. Entre os principais fornecedores de fertilizantes para o Brasil estão China, Rússia e Canadá, o que evidencia a elevada dependência brasileira de importações para atender à demanda do agronegócio.

Além da redução nas importações, os produtores enfrentam um cenário de deterioração na relação de troca entre soja e fertilizantes. Esse indicador mede quantas sacas de soja são necessárias para adquirir uma tonelada do insumo. Quando essa relação se torna desfavorável, o produtor precisa entregar um volume maior de grãos para comprar a mesma quantidade de fertilizante.

A valorização do dólar é um dos principais fatores por trás desse movimento. Como os fertilizantes são negociados internacionalmente em moeda americana, a alta cambial encarece o produto no mercado interno, pressionando o custo por hectare das lavouras, principalmente de soja e milho.

Ao mesmo tempo, as oscilações no preço da soja também impactam diretamente o poder de compra do produtor, já que o valor do grão é utilizado como referência na relação de troca com os insumos.

Segundo o analista de economia da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, o cenário exige maior atenção dos produtores no planejamento da próxima safra.

“Com o dólar valorizado, o fertilizante fica automaticamente mais caro no mercado interno. Se, ao mesmo tempo, o preço da soja não sobe na mesma proporção, o produtor precisa entregar mais sacas para adquirir a mesma tonelada de insumo. Isso comprime a margem e aumenta o risco da safra. Por isso, neste momento, o planejamento é fundamental: travar custos, avaliar o melhor momento de compra e acompanhar o câmbio passam a ser decisões estratégicas para proteger a rentabilidade da lavoura”, afirma.