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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

11/03/2010 08:05

Polícia Federal segue para despejo de índios em Miranda

Redação

A Polícia Federal, acompanhada por oficial de Justiça e representante da Funai, seguirá nesta manhã para Miranda, para cumprir liminar que devolveu a posse da fazenda Petrópolis ao ex-governador Pedro Pedrossian.

Na área, estão cerca de 250 índios terena da aldeia Cachoeirinha, que no dia 22 de outubro do ano passado resolveram acampar na propriedade que já havia sido declarada território indígena após estudos antropológicos da Funai.

Porém, liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu o processo de demarcação e devolveu a posse à família Pedrossian.

Ontem, a Procuradoria-geral da República anunciou que recorreu na tentativa de derrubar a liminar.

Nesta amanhã, os índios receberam a notícia da reintegração e dizem que vão sair pacificamente, apesar de discordarem da decisão. "A Justiça é anti-indígena, só vê os interesses dos fazendeiros, dos políticos", protesta o terena Lindomar Ferreira, de 33 anos.

O ex-adminsitrador da Funai em Campo Grande, Jorge das Neves, foi escolhido para intermediar a saída. "Fui chamado, mas ainda vamos tentar adiar essa reintegração", explica.

Em 2008, o mesmo grupo esteve 15 dias na fazenda e só retornou em 2008.

"A gente sempre obedeceu a lei, mas é triste ver que nunca somos beneficiados. A Justiça é cega, mas só para o nosso lado", comenta Lindomar.

O líder terena diz que ainda não sabe para onde as família irão, após o despejo pela Polícia Federal, mas lembra que o processo ainda pode ser revertido. "Fomos a Brasília na semana passada e já entramos com recurso contra a decisão do Gilmar Mendes".

Lindomar reclama do critério usado para reintegração de posse em benefício dos fazendeiros, o marco temporal de 1988. "Inventaram que agora só é terra indígena as que eram ocupadas pelos índios em 88, mas como que a gente poderia ficar na terra se era expulso a bala. Isso não vale."

A área reivindicada pelos terena é de 1,1 mil hectares dos 3 mil que integram a fazenda. No total, outras 54 pequenas propriedades da região de Miranda também estão no território que, na avaliação dos terena, também é tradicionalmente indígena.

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