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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

29/06/2010 09:22

Servidora denuncia UFMS por intolerância religiosa

Redação

A servidora Waleska Mendoza, lotada no campus Pantanal da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), denunciou a instituição no MPF (Ministério Público Federal) por intolerância religiosa.

Ela perdeu o cargo de chefe da Secretaria Acadêmica, onde já estava há três anos e meio, por inserir trechos bíblicos em memorandos e outros documentos internos encaminhados dentro da universidade.

De acordo com Waleska, que é Adventista do Sétimo Dia, a ex-diretora do campus, Vilma Elisa Trindade, já havia lhe alertado sobre a possibilidade de perseguição, motivada pelas mensagens religiosas.

A servidora relata que o atual diretor da instituição em Corumbá, Wilson Ferreira de Melo, lhe pressionou várias vezes para parar de inserir trechos bíblicos nos memorandos.

Como manteve sua posição, baseada em uma liminar da Justiça Federal de São Paulo, liberando o uso de símbolos religiosos neste tipo de repartição, acabou perdendo o cargo de confiança.

Assumiu sua posição Samanta Felisberto Teixeira, que segundo Waleska, trabalha há poucos meses na universidade.

Hoje à tarde, a servidora pretende procurar a Defensoria Pública e ingressar com uma ação contra a UFMS, por restrição à liberdade religiosa e de expressão. Entre as providências, ela pede ressarcimento por danos morais, com valor a ser fixado pela Justiça.

Waleska alega que o próprio ex-reitor da UFMS, Manoel Catarino Paes Peró, expressou "agradecimento a Deus" na placa de inauguração da biblioteca, em Campo Grande.

"Quer dizer que por ele ser reitor ele pode, mas uma servidora não? Os direitos são iguais", declarou.

Ao Campo Grande News, o diretor do campus, Wilson Ferreira de Melo, negou perseguição religiosa e disse que a servidora foi avisada inúmeras vezes sobre uma determinação interna da instituição, de não inserir mensagens religiosas em documentos oficiais.

"Não houve restrição, perseguição, não proibimos nenhum servidor de professar a sua fé, mas há uma norma interna e ela foi comunicada. Disse que não iria obedecer. Colocou seu cargo à disposição, e eu aceitei", detalhou.

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