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Em Pauta

A servidão voluntária. A perda do desejo de liberdade

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 12/03/2020 06:50
A servidão voluntária. A perda do desejo de liberdade

É estranho perceber a facilidade que temos de esquecer o dom da liberdade. Sobre como o escravo erige seu tirano. Sobre esse medo que nos envolve e nos torna servis. Ao contrário do que muitos creem, a servidão, aparentemente forçada, é um ato voluntário. De fato, qualquer poder, inclusive quando se impõe pela força das armas ou dos votos (ou pela manipulação massiva de contas do Facebook), não pode dominar e explorar de maneira sustentável, sem a colaboração ativa ou resignada de uma parte significativa da população. O que move a tantas pessoas a viver no ritmo marcado por um aplicativo ou um "trending top"?

A servidão voluntária. A perda do desejo de liberdade

Hábito, religião e superstição.

Os tiranos são todos parecidos. Pouco importa se estão à direita ou esquerda. Não importa que tenham sido eleitos pelo povo, pelas armas ou pelo sangue. São apenas tiranos. Mas como o povo ou parcela do povo se submete a eles? Em primeiro lugar, pelo hábito. Quem está acostumado à servidão, tende a não questioná-la. Em seguida, pela religião e pela superstição que se cria em torno da figura do líder.

A servidão voluntária. A perda do desejo de liberdade

As migalhas repartidas.

Mas, o maior segredo da servidão voluntária está no envolvimento do dominado na própria estrutura da dominação. Cria-se uma pirâmide de migalhas. O tirano domina meia dúzia. Essa meia dúzia, domina seiscentos. Estes, dominam seis mil... para dominar a meia dúzia, o tirano atira-lhes migalhas. Estes, gratos, aceitam a submissão. Essa estrutura de domínio é repetida, então, nos demais níveis. Está consolidada a submissão voluntária. Sempre funcionou assim, reis, imperadores e demais déspotas, galgaram o poder dessa forma