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Em Pauta

As bananas e tropas da Eldorado de Johny Bravo Bolsonaro

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 02/10/2020 07:11
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Quem não conhece o passado de uma autoridade, não consegue entender seus pensamentos e ações presentes. Para saber quem é Jair Messias Bolsonaro - Johny Bravo, como ele se autodenomina - é preciso viajar a Eldorado, cidadezinha a 257 quilômetros da capital paulista. Essa não é a cidade natal do presidente, mas foi nela que Bolsonaro viveu dos 11 aos 18 anos de idade. Foi lá que ele moldou seu caráter e os grandes nortes que deu em sua vida. Só o humano explica o político.

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Lamarca, o guerrilheiro que colocou Bolsonaro contra os comunistas.

O filho Flávio, conta que o pai se aproximou dos militares para oferecer informações sobre as trilhas nas matas da região para que encontrassem o guerrilheiro Carlos Lamarca. De repente, chega uma operação militar gigantesca, com mais de 3.000 militares. Começaram a lançar bombas de napalm, como os Estados Unidos fizeram no Vietnã. No auge da perseguição, Lamarca e sete de seus companheiros fogem em uma pick-up, mas são parados pela polícia na entrada de Eldorado. Trocam tiros. Três policiais são atingidos e os guerrilheiros fogem. No meio da fuga, são interceptados por uma patrulha comandada pelo tenente Alberto Mendes Júnior. Os guerrilheiros levam o tenente como refém. Na fuga, entendem que corriam risco com a presença do tenente e o executam. A cidadezinha estava aterrorizada com o tiroteio. Bolsonaro, como a imensa maioria, passava a odiar os comunistas. Eram, para ele, nada além de bandidos.

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Os Paivas e o trauma.

Talvez você conheça o livro "Feliz Ano Velho", a narrativa do jovem escritor Marcelo Paiva do acidente que o tornou paraplégico. Marcelo é neto de Jaime Paiva, o maior fazendeiro de Eldorado e seu prefeito. Há alguns aparentemente pequenos conflitos entre a versão de Jair Bolsonaro e Marcelo Paiva sobre o tempo em que viveram na cidadezinha. Jair conta que ele e as demais crianças pobres da cidade não podiam entrar na piscina da fazenda dos Paivas. Marcelo afirma que essa piscina não era um lugar para tomar banho, era suja e cheia de sapos. Jair também narra que os Paivas, eventualmente, desciam à cidade e chupavam picolé da Kibon. Ele e seus amigos corriam para disputar os palitos, na esperança de encontrar algum premiado. Marcelo refuta a narrativa, diz que não desciam à cidade. As aparências enganam. Atrás de historietas minúsculas como essas, construiu-se um trauma duradouro. Rubens Paiva, filho do fazendeiro, e pai do Marcelo foi preso, torturado e desapareceu durante o governo militar. Cada um em seu lugar, Jair e Marcelo ficaram traumatizados. Um pelo desaparecimento do pai, outro pelas agruras de uma vida pobre, tendo de conviver com a ostentação dos vizinhos ricos.

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A aversão à não utilização da riqueza do solo de Eldorado.

Percy Geraldo Bolsonaro era um protético (dentista, sem formação universitária) em Eldorado. Com seis filhos, a vida era muito simples, próxima à pobreza. Jair tinha de pescar com seus amigos para, depois de vender os peixes, comprar um ingresso do cinema aos sábados. Também trabalhou em um pequeno bar. Vida dura. Mas era o mais inteligente e determinado dos irmãos. Somente ele saiu da região para ingressar no Exército. A região é um imenso bananal. Vivem de bananas. Mas há muito tempo Bolsonaro tem fixação por Nióbio e Grafeno. Diz que nas terras indígenas de Eldorado há uma imensa reserva de ambos. Um parênteses. Grafeno não é encontrado na natureza, é um produto do grafite. Bolsonaro deseja explorar os minerais existentes nas terras indígenas. Essa história só pode ser entendida ao sabermos que seu pai também era um "faiscador", procurava ouro nos rios da região de Eldorado. O filho seguiu o rumo do pai. Durante muito tempo, Jair andava com uma bateia por onde fosse, sempre sonhando encontrar ouro. O ouro de Eldorado, um dos mais importantes mitos criados pelos espanhóis na Colômbia no século XVI. O minerador frustrado está na alma dos Bolsonaros.

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Política, as derrotas dos Bolsonaros.

Jair não é um conservador oportunista. Sua mãe sempre foi conservadora. Flávio, o filho, conta que quando a família vivia em Jundiaí, a avó foi à capital participar da "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", o movimento que derrotou João Goulart, aliado das esquerdas, em 1964.
Mas seu pai, Percy Geraldo, era um opositor da ditadura. Dirigente local do MDB, candidatou-se três vezes pelo partido. Foi derrotado em todas as eleições. A mesma sorte que teve seu irmão, Renato, concorrendo às eleições de Miracatu, município paulista. Os votos parecem seguir só Jair e sua prole. A obstinação de Jair pelo poder é narrada por seus amigos. Vem da juventude.

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