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Em Pauta

Coronavírus: a ciência sabe muito pouco sobre a velhice

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 28/03/2020 08:27
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

Ficar mais lento, perder o vigor e a resistência, passar por uma diminuição da capacidade de se autoconsertar - em uma palavra: envelhecer. Sabemos, com certeza, de que o processo de envelhecimento inicia-se dentro de nosso corpo. Podemos retardar um pouco o processo seguindo um estilo de vida extremamente virtuoso, mas não escapamos para sempre. Só há uma diferença: uns estão morrendo mais rápido que outros.


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Não temos ideia de porque envelhecemos.

Não temos a menor ideia de porque envelhecemos. Ou melhor, temos um excesso de ideias. Há quase trinta anos, Zhores Medvedev, um biogenrontologista russo, calculou que naquele momento existiam cerca de trezentas teorias científicas sérias que explicam porque envelhecemos. Hoje, há muito mais.


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Três grandes categorias.

Mutação genética (os genes funcionam mal e matam o dono), desgaste normal (a vida útil do corpo chega ao fim) e acúmulo de resíduo celular (as células ficam entupidas de produtos tóxicos) pretendem entender o envelhecimento. Pode ser que esses fatores operem juntos. Ou pode ser outra coisa completamente diferente. Ninguém sabe.


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O conto do vigário dos antioxidantes.

A maioria certamente não teria ouvido falar de radicais livre ou antioxidantes - uma das mais populares ideias para explicar o envelhecimento - se não fosse um químico da Califórnia chamado Denham Harman. Esse sujeito ao ler uma revista de modas de sua esposa - "Ladies Home Journal" inventou a teoria dos radicais livres e antioxidantes como se fossem centrais no nosso envelhecimento. A ideia de Harman nunca passou de um palpite. Pior, as pesquisas mostraram que estava errada. Mesmo assim, a ideia "pegou" e não largou mais. A venda de suplementos antioxidantes hoje movimenta US$ 2 bilhões anuais. É um grande conto do vigário. E podem fazer mal.


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O que sentimos ao envelhecer.

Mesmo gozando de boa saúde, o envelhecimento tem consequências das quais não escaparemos. A bexiga fica menos elástica e perde capacidade, por isso uma das maldições da velhice são as visitas frequentes ao banheiro. A pele também perde elasticidade e fica mais seca, parecendo com um couro. Os vasos sanguíneos se rompem mais facilmente e formam hematomas ao menor toque. A quantidade de células de pigmento diminui, as que restam crescem, produzindo manchas na pele. A camada de gordura ligada à pele fica mais fina, por isso, pessoas velhas sentem mais frio. Depois dos 40 anos, o volume de sangue passando pelos rins diminui 1% ao ano.


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Coronavírus e as mudança no sistema imunológico.

Se fosse "só" isso... estaríamos bem. Mas há algo que é decisivo nos dias de coronavírus - o sistema imunológico não consegue detectar intrusos com a mesma confiabilidade de antes. Estamos enfrentando um ataque com um vírus bom driblador, e temos uma defesa facilmente enganável. E ainda querem que enfrentemos mais e mais desses vírus dribladores? Muita politicagem e só uma certeza: os políticos nos ferraram novamente.
Há outras situações muito sérias. A quantidade de sangue bombeado a cada batimento cai gradualmente. O coração terminará pifando por isso (ou por outros motivos). E como a quantidade de sangue passando pelo coração diminui, nossos órgãos passam a receber menos sangue. Mas resistimos. A vontade de viver é intrínseca a todos. Não explicamos, mas sentimos que o envelhecimento é nosso ultimo "jardim das delícias".