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12/12/2019 06:30

Do seguro funeral ao seguro prisão

Mário Sérgio Lorenzetto
Do seguro funeral ao seguro prisão

Nas sociedades primitivas, quase todos corriam riscos substanciais de morte prematura devido à má nutrição, ou doenças, para não mencionar as guerras. Elas confiavam em apaziguar seus deuses que acreditavam determinar a incidência de fomes, pragas, pestes e invasões. A maioria delas tentava armazenar comida e outras provisões para aguentar os tempos difíceis. Dada a crônica vulnerabilidade dos nossos ancestrais, as primeiras formas de seguro foram os voltados para os funerais. As tribos do mundo todo, separavam recursos para garantir um enterro decente para seus membros.

Do seguro funeral ao seguro prisão

Escoceses inventaram o primeiro fundo de seguros.

Os escoceses são tidos como um povo pessimista. Talvez isso tenha a ver com o clima - quase todos os dias são lúgubres, chuvosos. Ou talvez seja por causa do calvinismos, que os habitantes das "Terras Baixas" abraçaram na época da Reforma. Por alguma razão, dois ministros da Igreja da Escócia merecem o crédito de inventar o primeiro fundo real de seguro, há 275 anos, em 1744.

Do seguro funeral ao seguro prisão

Seguros na Babilônia, na Itália e o dos cascos do navio.

É verdade que companhias de seguro existem antes dessa data. "Bodemeria" fazia o seguro dos cascos dos navios mercantes. Alguns historiadores entendem que os primeiros contratos de seguro datam do começo do século XIV na Itália, quando pagamentos para a "securitas" começaram a aparecer nos documentos comerciais. Mas há indícios de que esse mesmo tipo de contrato vinha da época do apogeu da Babilônia, no Iraque de nossos tempos. Os contratos italianos de seguro, por volta de 1350, destinavam prêmios que variavam de 15% a 20% da soma assegurada.

Do seguro funeral ao seguro prisão

Italianos seguravam até risco de prisão.

Das centenas de contratos de seguros italianos que foram encontrados e estudados, o exemplo típico foi encontrado nos arquivos de um mercador de nome Francesco Datini. Estipula que os seguradores concordam em assumir os seguintes riscos: de Deus, do mar, dos homens da guerra, do fogo, das cargas lançadas ao mar, de qualquer perda, perigo, infortúnio, e o mais inesperado - da prisão. Os comerciantes italianos estavam sempre vulneráveis à sonegação de impostos. Não era raro um deles parar na prisão. Para que seus familiares não ficassem na miséria, faziam seguro para a desventura de ir parar em uma masmorra. Se a moda pegar no Brasil....

Do seguro funeral ao seguro prisão

O Grande Incêndio de Londres originou o boom dos seguros.

Como visto, os seguros estavam ligados intrinsecamente aos comerciantes. Até o Grande Incêndio de Londres de 1666, esse não era um negócio familiar. Todavia, com a destruição de mais de 13 mil casas, Nicholas Barbon, alguns anos depois, estabeleceu a primeira companhia de seguros específica contra o fogo. Mais ou menos na mesma época, um mercado de seguros marítimos especializado começou a se formar no café de Edward Lloyd, em Londres.

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E surge a gigantesca Lloyd.

Entre os anos 1730 e 1760, a pratica de trocar informações no Lloyd se tornou uma rotina, até que em 1774 foi formada aquela que seria a gigantesca companhia de seguros denominada Society of Lloyds. Inicialmente, eram 79 membros vitalícios, que pagaram tão somente 15 libras por suas inscrições. É uma de suas centenas de empresas descendentes, a Lloyd Brasil, que deteria o monopólio do resseguro em nosso país por inacreditáveis 70 anos. Resseguro é uma operação pela qual um segurador transfere a outro, total ou parcialmente, um risco assumido até antes da emissão de uma apólice. Só em 2007 o mercado do resseguro brasileiro foi liberalizado.

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