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24/02/2019 08:48

E o Oscar vai para... uma indígena que só quer paz

Mário Sérgio Lorenzetto
E o Oscar vai para... uma indígena que só quer paz

Imaginem que o atual detentor do Oscar de melhor filme vá à Aldeia Limão Verde. Na localidade, visite uma pequena escola e escolha uma professorinha que nunca viu uma potente câmera hollywoodiana. Essa é a história que está por trás de "Roma", o filme que as bolsas de apostas dão como o provável vencedor de muitas estatuetas.

O nome da professorinha é Yalitza Aparício, a protagonista que da voz à realidade mexicana -e brasileira- de inúmeras mulheres indígenas: vive trabalhando como doméstica em uma residência de classe média. Realidade e realidade. Da vida real como estudante de um curso para ser professorinha de um povoado, majoritariamente indígena, para a vida cinematográfica de empregada doméstica na cidade grande.

E o Oscar vai para... uma indígena que só quer paz
E o Oscar vai para... uma indígena que só quer paz

Yalitza só quer paz

Os jornalistas já não são bem vindos no pequeno povoado de Tlaxiaco. Dezenas de repórteres peregrinam durante semanas a esse pequeno povoado em busca das origens de Yalitza.

Um enxame de jornalistas perseguiu o pai de Yalitza até que ele bateu seu carro. A avó de Yalitza -da etnia triqui, que não fala espanhol- foi encurralada para arrancar-lhe uma entrevista. Um sujeito se fez passar por namorado de Yalitza para cobrar US$ 25 por entrevista por testemunhos inventados.

A imprensa alterou a vida desse pequeno e esquecido povoado no sul do México. Há poucos dias o diretor de "Roma", o vencedor atual do Oscar, Alfonso Cuarón, exigiu energicamente que deixassem em paz a mãe e os três irmãos da provável vencedora do Oscar.

E o Oscar vai para... uma indígena que só quer paz

O racismo toma conta da imprensa mexicana

Os mexicanos estão felizes com a provável vitória de Yalitza? Nem todos. Uma parcela importante da população repudia a nominação.

A "piada" recorrente é de que escolherão uma indígena que no filme só diz "Sim, senhora" e "Não, senhora". Esse tipo de comentário vem encontrando eco nas redes sociais. Mas os insultos racistas vem gerando milhares de reações que estão obrigando os difamadores a se desculpar. Pelo menos no México o racismo está perdendo a batalha nas redes sociais.

O México começa a expulsar seus fantasmas mais profundos. E tudo graças a um filme em branco e preto e uma atriz que nunca havia filmado. Yalitza diz que só quer paz.

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