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Em Pauta

Escravidão: o trabalho liberta? A pureza de sangue

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 21/11/2021 08:20
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Na Antiguidade, o trabalho era moralmente desprezível. Era uma punição, aquela que o Criador infligiu ao primeiro casal depois do pecado. Esta maldição, que aflige os humanos, era reforçada pelas práticas generalizadas do escravismo. Os que trabalhavam eram seres submissos, rebaixados, desprezíveis. Seus senhores não trabalhavam e seu poder era determinado pelo número de escravos às suas ordens.


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Glória aos ferreiros e pastores.

A Bíblia enaltece os pastores e ferreiros, e glorifica seus protetores. Mas o trabalho ao sol, aquele de Caim, continua maldito. Mas tem cuidado em fazer de Jesus um "filius fabri", um carpinteiro. Seus discípulos são pescadores e artesãos. Esses são trabalhos, para os primeiros cristãos, ávidos de pureza, que servem de via para se aproximar de Deus, abater seu corpo, rebaixar seu orgulho. Mas não se pode esquecer da enorme quantidade de escravos que figuram entre os primeiros convertidos, a recompensa os aguarda no Além.


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Ora et labora.

Ao lado desses seres involuntariamente submetidos, o monge dará o exemplo de um novo encontro - voluntariamente - com o trabalho das mãos. "Ora et labora", ore e trabalhe, as duas prescrições de S.Bento às primeiras comunidades cristãs, desde o século VI, será o preceito religioso por séculos. Entretanto, o ora et labora vale para quem trabalhe na oficina de um senhor ou sobre seus campos, em uma vinha da igreja ou num ambiente de escrita de uma associação solidária. Mas, muitos cristãos tinham ojeriza à escravidão. Ao longo dos séculos, outras ideias teriam de ser criadas para sua permanência.


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Escravizem os pagãos.

"Dum diversas" é o nome da bula papal emitida em 18 de junho de 1452 pelo papa Nicolau V. Ela foi dirigida ao rei Afonso V de Portugal. Por esse papel, os portugueses eram autorizados a conquistar territórios não cristianizados e tornar seus habitantes - muçulmanos e pagãos - em escravos perpétuos. A ideia era simples: quem não for cristão, pode ser escravizado. Não falava de judeus, mas, em tese, era possível escravizá-los.


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A pureza do sangue para liberar a escravidão.

Judeus, muçulmanos e pagãos de todas as regiões, começaram a aderir ao cristianismo. Percebendo a insuficiência da "Dum diversas", a bula que liberou a escravização, os cristãos criaram outra regra. Surgia a pureza de sangue. Poderiam ser escravizados aqueles que não fossem tetranetos de judeus, muçulmanos e pagãos. Quatro gerações de pureza sanguínea para não entrar na longa fila do trabalho escravo. Ideia copiada pelos filhos de Hitler.

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