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Em Pauta

O destino brasileiro está em jogo nas eleições dos EUA

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 26/10/2020 08:08
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

Será preciso ter nervos de aço ao acompanhar a apuração dos votos no próximo 03 de novembro, dia das eleições presidenciais norte-americanas. Passar a noite e a madrugada em claro, consumir sacos de pipoca e garrafas de cerveja para entender, afinal, quem venceu as eleições. Toda atenção será pouca. Nosso destino será também jogado nessa terra distante. Mas eles têm um sistema eleitoral no mínimo estranho.


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Não há sufrágio universal.

Nos EUA, não existe o sufrágio universal. A Constituição norte-americana determina que não se pode proibir o voto por raça ou sexo. Todavia, cada Estado tem a faculdade de negar aos cidadãos seu direito de voto pelos mais estranhos quesitos. Também de nada serve angariar a maioria dos votos. Nos EUA, o chefe do Executivo é, ao fim e ao cabo, escolhido por 538 eleitores, indicados por votação, em cada Estado. São os deputados e senadores eleitos nesse mesmo dia 03 de novembro que elegem o presidente. Recorrendo ao caso mais próximo: em 2016, Hillary Clinton teve quase 3 milhões de votos populares a mais que Donald Trump e perdeu as eleições.


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Influência francesa e inglesa.

Essa história tem data de início. No início do século XX, os EUA eram praticamente desconhecidos pelos brasileiros. Soa estranho ler Joaquim Nabuco quando afirmava que desconfiava dos EUA, um país tão jovem e sem história. Nossa imaginação e dependência flutuava entre a França e a Inglaterra. Ninguém pensava em associar o Brasil a um país tão "imprevisível e ganancioso".


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Tutti italiani.

Com Mussolini no poder italiano, o Brasil, tal como a maioria dos países, abandonou os franceses e ingleses. Todos viraram cópias da Itália. Muitos lembram de nossa legislação trabalhista, cópia da italiana. Mas poucos livros mostram que as cópias foram muito mais amplas. A primeira reforma agrária brasileira foi copiada da italiana. O processo de industrialização, calcado na indústria automobilística também. Vale lembrar que a Alfa Romeo, um das mais pujantes industrias automobilísticas italianas, foi uma das primeiras aliadas de Mussolini. Getúlio, a tentativa escarrada de cópia de Mussolini, não tentou trazer a Alfa Romeo para o Brasil. Todavia tentou, em vão, trazer a Fiat, a segunda aliada de Mussolini.


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Guerra Fria, a mãe da influência norte-americana.

Dai em diante, a influência e domínio dos EUA dominou o Brasil. Com o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os EUA assumiram o papel de protagonistas na Guerra Fria, tensão que dividiu os países em dois blocos rígidos: aqueles que se encontravam sob a égide da União Soviética, que buscavam implantar o socialismo; e os que faziam parte dos "simpatizantes" norte-americanos e que defendiam a expansão do capitalismo. Apesar de muito barulho, em algumas ocasiões, o Brasil nunca, nem por um dia sequer, esteve correndo algum risco de aderir ao polo soviético. Por aqui, o "combate ao comunismo" sempre foi apenas uma tática política para assustar a população. O Brasil, desde a Segunda Guerra, esteve aliada aos EUA, com maior ou menor servilismo. No dia 03 de novembro, estará em jogo a profundidade dessa servidão que dura 75 anos.

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