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Em Pauta

Vestidos para curar. A origem das roupas de isolamento

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 08/03/2021 08:01
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

O nome técnico das roupas de isolamento é NBQ - nuclear, químico e bacteriológico. Se buscarmos os antecedentes desses trajes, vamos encontrá-lo no século XVII. Uma época em que a peste assolava a Europa e apareceram os chamados "doutores da peste", usando trajes que hoje parecem fantasias carnavalescas.


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Ópio e carne de serpente.

Os doutores da peste andavam com uma máscara em que se destacava um nariz proeminente, com forma de bico de ave e com dois buracos nas extremidades para poder respirar. Essa máscara foi assim desenhada para que em seu interior pudessem encher de perfume, vinagre ou "tríaca", uma mistura de ervas aromáticas, ópio, carne de serpente em pó, junto com canela, mirra e mel. A ideia era impedir que qualquer coisa - não conheciam os micróbios - entrasse pelo nariz.


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Pele de cabra e bastão branco.

Os olhos desses médicos da peste estavam recobertos por grossas lentes e, para proteger a cabeça, usavam um chapéu de abas largas. Usavam uma capa muito larga e longa. Eram feitas exclusivamente de couro bovino do Marrocos - o de melhor qualidade, há séculos - ou de cabras. Os calçados eram feitos com couro de cabra. Arrematando esse traje estranho e assustador, caminhavam com um bastão branco nas mãos. Esse bastão servia para manter a distância os pacientes.


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Um longevo médico que sabia costurar.

Quem criou esse traje foi um dos médicos mais importantes do XVII. Chales de Lorme, era médico e costureiro, atendeu pelo menos, três reis da França. Amigo de Richelieu, na velhice, recebeu uma polpuda pensão vitalícia. Longevo e romântico incurável, Charles de Lorme casou três vezes. Na última, estava com 78 anos. Contam que teve filhos nessa idade. Seus filhos e sua roupa, especial para a peste, circularam, com muita fama, por toda a Europa. Esse traje ainda é a fantasia mais usada no maior carnaval do mundo - o de Veneza. Talvez os trajes NBQ atuais venham a ser fantasias de um carnaval do futuro. Se no XVII pouco protegiam, hoje são essenciais, protegem à perfeição.

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