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Em Pauta

Volta às aulas: no prédio escolar ou nas ruas e parques?

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 04/06/2020 08:29
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

O mundo começa a sair da prisão determinada pelo coronavírus. As ruas retomam, ainda que parcialmente, a vida normal. Mas as crianças continuam encarceradas em suas residências. Não há notícia de que um só país tenha liberado a volta às aulas para os pequenos. Mas há preparativos. Há um intenso debate europeu de como as crianças devem retornar às aulas. De um lado, a OMS, Unicef e os ministérios da saúde e da educação de vários países da Europa. Mas a outra vertente vem ganhando mais força que as instituições formais. Quem a encabeça é o mais famoso pedagogo da Europa. Francisco Tonucci é um famoso pedagogo italiano que reuniu a experiência da Dinamarca no pós guerra e o Greenpace em torno de uma proposta que já conta com milhares de escolas aderindo a ela.

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Escola sem jogo de bola, com distanciamento e máscara.

A proposta da OMS, Unicef e ministérios europeus está assentada na experiência que estamos vivenciando na pandemia. As crianças não poderão levar mochilas, bolas, brinquedos e bichinhos de pelúcia para as escolas. Para entrar no prédio escolar, serão submetidas a um rígido controle de distanciamento e medirão a temperatura individual. O chão será demarcado com fitas que lhes mostrem o distanciamento necessário. Nos primeiros dias da volta à escola serão dedicados a ensinar esse novo aprendizado: como viver em uma escola que é perigosa. Ensaiarão todos os novos protocolos.

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Os pais não entrarão nas escolas.

Ao entrar, os alunos terão de lavar as mãos. A limpeza e desinfeção do prédio escolar será feita pelo menos três vezes a cada dia. Nos banheiros não existirão secadores de mãos, só serão aceitas as pequenas toalhas alcoólicas. Um círculo será feito com fita indicando aos estudantes onde esperar sua vez para desinfectar-se. Os pais serão proibidos de entrar na escola.

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Dobrar o número de salas de aula.

O novo protocolo exigirá a reocupação de todos os ambientes escolares. Locais como quadras de esporte serão reorganizados para aumentar o número de salas de aulas. O objetivo é que em nenhum local da escola permaneçam mais do que 15 alunos. Haverá a necessidade de arrumar mais professores, ainda que eles hoje pertençam aos quadros administrativos deverão estar com as crianças.

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As carteiras estarão a dois metros de distância.

Todos os alunos usarão máscaras até que estejam sentados em suas carteiras. Observando a distância de dois metros de uma carteira para outra, só retirarão as máscaras quando o distanciamento for assegurado. Serão proibidos os trabalhos em grupo.

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As cantinas das escolas.

Os pequenos passarão a comer em suas salas de aula. As cantinas deverão passar por desinfeção diária e estarão fechadas para os alunos. Delas, só sairão pratos feitos direto para as salas de aula. A entrega dos alimentos in natura terá de ser feita em um só ponto, fora da cozinha, e será devidamente desinfectado.

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Ar livre, a alternativa que ganha espaço.

O desafio de encaixar alunos em poucas salas de aula não é novo na Europa. Nos anos cinquenta, depois da Segunda Guerra Mundial, tiveram de enfrentar uma situação similar. Milhares de mães viúvas deviam voltar a trabalhar e deixar seus filhos em escolas onde não cabiam. A solução encontrada foi olhando ao redor das escolas. Idealizaram um sistema de rotação em que cada grupo passava alguns dias no prédio escolar e outros, ao ar livre. Inspirado nesse modelo Francesco Tonucci, um dos mais famosos pedagogos europeus, vem conquistando a adesão de milhares de escolas. A essa proposta, uniu-se o Greenpeace e outras entidades ambientalistas. Mais de 3.000 escolas europeias assinaram um manifesto pedindo essa alternativa. A ideia é fechar as ruas e parques próximas às escolas e proporcionar um ambiente mais satisfatório para os pequenos. Epidemiólogos também começam a apoiar essa alternativa. Hoje, sabemos que o ar livre é o maior inimigo do vírus. A transmissão diminui no exterior. Há 19 vezes menos possibilidade de contágio ao ar livre. Como na primeira proposta, a das instituições, as crianças seriam divididas em grupos com no máximo 15 pequenos. Também afirmam que os professores não devem ser mudados. Sempre os mesmos. Em caso de infecção, fica mais fácil isolar professor e aluno. Há uma experiência piloto em uma escola de Copenhagen, na Dinamarca. Ali, os grupos são de 10 alunos.